E se?

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Se o fim do mundo chegar como alguns estão dizendo, antes da minha morte eu poderei dizer a mim mesmo que fiz algo de bom, algo que gosto. Muitos me dizem que fazem de suas vidas o melhor, mas será? Vi uma imagem num outro dia num desses sites de relacionamento, ela mostrava um cidadão bem vestido e barbeado em frente uma mesa e com a cara colada no computador, porém, este cidadão estava engaiolado e isso me fez pensar em muita gente que conheço. Dizia na imagem mais ou menos o seguinte: “não perca a vida tentando ganhá-la.”

Numa sexta, não importa em qual delas, fui surpreendido pela esposa de um amigo; dizia ela ser uma leitora assídua deste espaço, e do blog. Fiquei sem reação, eu não soube o que dizer e fiquei assim porque eu realmente não esperava que ela lesse as coisas que eu escrevo aqui e acolá, porém, de forma bisonha e desajeitada lhe agradeci os elogios que lhe saltavam da boca. E ela foi além, quis saber por onde andava a Sarah, lembram da Sarah? Pois é, onde anda a Sarah? Nem eu sabia naquele momento, logo deixei minha leitora sem respostas.

Com isso me senti um tanto frustrado, pois tenho escrito coisas e mais coisas, crio personagens e não estou dando um fim para a vida deles, ou um final feliz como acontece nos filmes de comédia romântica, mas lembram da Summer? Aquela do filme “500 dias com ela”, o filme nos mostra um final feliz, mas será mesmo que foi um final feliz para o jovem Tom? Dá pra se dizer que aconteceu coisa semelhante entre Roque e Sarah. Vejam o filme, é bom!

E o que isso tem a ver com o início dessa conversa? Eu também não sei muito bem, mas talvez tenha a ver com isto, com a escrita e com a forma que estou levando isto que chamo de vida. Está tudo tão perfeito que se eu morrer agora, eu entrarei para o Clube dos 27, mas pensando bem morrer agora seria uma péssima ideia, Os Guaipecas ainda não fizeram sucesso e eu conheci uma garota tão bonita… Quando decidi deixar de lado as coisas comerciais a fim de fazer o que eu realmente gosto sofri represália e ainda sofro, mas a cada negativa que jogam nessa minha cara cheia de pêlos (sim, ela já não é mais como mostra o retrato ali) ganho mais força para seguir adiante, e vocês já devem ter visto por aí num e outro canal a propaganda de carro, da Fiat se não me falha a memória, pra eles o sujeito para ter uma vida decente precisa ter tal e tal coisa, ter a barba feita e aquele carro. Quanta bobagem, céus, sem falar no preconceito embutido… Quem tem barba não é gente? – quem tem barba é relaxado? – ou ainda, quem tem barba não tem futuro? Outra propaganda idiota que vi que se tratava duma camionete da Jeep, onde estimulava os motoristas a agirem feito predadores porque eles estão inseridos numa selva, como se já não bastasse o grande número de mortes que o trânsito proporciona.

Se alguns homens deixam os pêlos nascerem no rosto é porque se sentem bem com eles e não será o sistema que fará com eles mudem de aparência, eu tenho pena daqueles que todos os dias se prostituem na frente do espelho com uma lâmina de barbear a fim de agradar a empresa ou o chefe. É lamentável a falta de personalidade das pessoas. Elas estão moldadas e encarceradas neste mundo onde somente quem tem cara limpa, carro, casa própria e um emprego que renda mais de tantos mil por mês é considerado gente. Agora pare e pense se você não está igual aquele cidadão que citei lá no começo. Triste não é? Mas se não está feito ele, meus parabéns!

Eu não ganho dinheiro com a coluna como pensam alguns, o que ganho é reconhecimento e posso dizer aqui que me sinto rico com ele. Sim, um dia eu pretendo ganhar alguns trocados com isto, porém, o livro ainda está na fôrma e será reservado para poucos, não que eu esteja escolhendo os meus leitores, mas digo isso porque sei que serão poucos que entenderão o que está sendo escrito nas páginas do livro, quem passa por aqui todos os dias tem uma vantagem, mas quem ainda vive engaiolado creio que largará na última posição. Outra pergunta: e se o mundo acabar amanhã, o que tu poderás dizer a si mesmo sobre isso?