Já dizia o Raul

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No domingo tudo ia bem até os quarenta e quase todos do segundo tempo, e aquele gol no finzinho foi como um banho de água fria no dia mais frio do inverno, porém, não é hora de jogar a toalha, e sim de pegá-la a fim de se secar e ir à luta novamente. Mas enfim, não é para falar de futebol que tenho este espaço e sim de outras coisas, e fora naquele mesmo domingo que eu conversei com uma amiga leitora deste espaço sobre algumas histórias que já passaram por aqui. Ela quis saber por onde andava a Mademoiselle F.. Pois bem, ela está bem, e tenho motivos para acreditar que ela está muito bem mesmo. Viajou, e se divertiu durante alguns dias longe daqui, longe dos holofotes de cidade pequena.

Mademoiselle F. até alguns dias atrás me dizia que não acreditava mais nos homens, para ela, todos e inclusive eu, fazíamos parte de um grande saco de farinha do pior tipo, daquela que por mais fermento que se coloque no pão, ele jamais crescerá. Mas como eu disse no começo deste segundo trecho, até uns dias… Na vida dela apareceu um cara legal, jovem como ela e de altura semelhante, branco e de cabelos escuros e é canhoto. Não poderei detalhar mais, afinal, não levantarei um dossiê da vida do cidadão, eu não o conheço e o que importa mesmo é a felicidade da nossa personagem principal.

Mas e ela está feliz? Basta olhar no fundo dos seus grandes olhos castanhos. O brilho deles responderá ao questionamento e destruirá qualquer tipo de inveja existente por perto. E como tem inveja por aí, porém, em contrapartida há quem goste de presenciar o nascimento de um romance, pois é algo muito bom, é como se fosse um apadrinhamento. Sou um fanático, um maluco pelos romances do mesmo jeito que sou pelo time que defendo, e cada vez que um amigo meu, ou amiga se dá bem eu fico feliz, o e a cada final infeliz compartilho com eles um bom trago de qualquer tipo de bebida, ao contrário dos amigos do Raul, lá no Beer nós falamos de amor, acho que Raul conheceu os caras errados, porque ele era um poeta.

Por falar no roqueiro baiano, Mademoiselle F. fez o que diz numa das canções mais conhecidas dele, “Tente outra vez”. Ela tentou e acreditou que dessa vez pode ser diferente. Eu espero que isso vá longe, que ultrapasse a velocidade do som e da luz. E se me for permitido indicarei uma canção para o jovem casal que está saindo do berço, “A maçã” do eterno Raul, todos devem ouvi-la antes de morrer, ou começar um romance. Mas e quanto a mim, um ser que até dias atrás estava encantado por ela, o que irei fazer mediante isso? Eu continuarei não temendo a chuva, me esforçando para não ser um sujeito normal, controlando a minha loucura e misturando-a na minha lucidez. Sofro mas, irei libertá-la, porque infinita é a beleza dela para ficar presa feito uma santa num altar porque eu sou astrólogo e conheço a história do princípio ao fim.