Liberdade?

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A esses homens que sonham tanto com a tal liberdade eu quero lhes dizer; vocês jamais a encontrarão. E como eu sei disso? Simples. Basta pensar um pouco e lembrar o que é feito em suas casas todas as manhãs assim que colocam a cara de frente ao espelho do banheiro. Lá está ela. A lâmina cortadora de pêlos. Vocês temem mostrar ao mundo as suas verdadeiras faces. A parte animal que corre dentro de vocês. É uma guerra. Claro, afinal, o homem que vive em busca da liberdade antes dela vive da guerra. Uma guerra já vencida pelo medo. Medo de encontrar-se de cara com a liberdade.

O homem criou roupas e dentro delas se julga superior às demais espécies do planeta. Veste ternos finos. Esnoba-se dentro de coisas materiais. Esconde-se de si mesmo. E aos poucos destrói a natureza de onde veio. Não quer ver o quão animal é. E não bastando isso precisa criticar aqueles que se libertam desses paradigmas, dos preconceitos. Que respeitam de forma igual as demais espécies e a natureza. O homem escravo inveja tanto o homem que se aceita como o animal que é que é capaz de não aceitar o seu semelhante em seu meio. Ah sim, mas somos animais racionais. Perdão. Tão racionais que foram inventadas armas de destruição em massa. Lógico, por um segundo eu me esqueci que o homem escravo vive da guerra e sempre sonhando com a linda e bela liberdade.

Empresas públicas ou privadas e seus respectivos administradores são praticamente todos iguais. Raramente se encontra nelas algum ser realmente livre. Que se aceita e que aceita os homens verdadeiramente livres que não temem ao serem comparados aos outros bichos. O homem escravo é o único ser vivo deste planeta que não se acolhe verdadeiramente como é. Gosta de ser escravo durante a vida inteira e, sendo assim, ele não aceita o homem livre.

Há quase onze meses que eu me encontrei e lhes digo o seguinte: é bom ser livre. Porém há um preço a ser pago por isso. Enfrentar todos os tipos de preconceitos que são oferecidos não é uma coisa fácil. Não é fácil acordar e olhar para o espelho e dizer a si mesmo: sou livre, porém, se não entrar em guerra e se não voltar a ser um escravo eu morrerei de fome. Talvez aí se entenda um pouco mais a respeito dos que acabam com a própria vida.

Mas antes de pensar em tirar a minha vida eu irei pelear contra vocês; vou ler e ler mais ainda a cada dia que passar em busca de conhecimento. E contra este ninguém pode ir contra. Nem lâminas, nem preconceitos. E juntamente com o conhecimento a liberdade se torna maior ainda, e isso é o mais bonito de toda a conversa.

Então escravos do século 21, amanhã ao acordarem cedo e derem de cara com o espelho do banheiro eu lhes desejo sorte para que não acabem morrendo antes do previsto e desejo que vocês um dia encontrem a tal liberdade que tanto sonham.