Marcha das vadias S.A. já!

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Raramente leio as colunas dos meus “colegas” aqui do jornal. Talvez isso seja um pouco de egocentrismo da parte de quem também escreve, e é bem provável que eles também não passem os olhos pelos meus escritos, porém, na semana passada corri meus olhos por uma delas devido à sua chamada, aquela escrita em negrito no cantinho da coluna. Gostei do assunto abordado pelo cronista. A história relatada por ele muito me chamou a atenção, pois se tratava do direito de uma mulher livre, moderna e independente. O texto fez com que eu mudasse o meu pensamento acerca de um dia fixar residência num apartamento, pois soube em conversas paralelas que existe um código de conduta para quem opta por morar em condomínio. Diz lá, bem nesses termos, e eu quase morri de rir: vida sexual escandalosa, condômino anti-social. Ah, por favor, parem com isso! Por acaso são todos santos agora? Sinceramente achei isso uma grande piada, pois hoje em dia com a falta de lugares para morar e com toda a papelada que é necessária para comprar um terreninho e, sem falar aqui das questões ambientais, dos encanadores, eletricistas e construtores que abusam no orçamento da obra (nada contra os preços estabelecidos, acredito que o trabalho desses profissionais é verdadeiramente complicado) boa parte da população acaba decidindo fixar residência em condomínios fechados e desprovidos de isolamento acústico. É bem mais fácil. Detalhe que nesses condomínios o que não faltam é câmeras de vigilância. Privacidade zero. Uma lástima para os menos discretos e leia-se aqui, livres de preconceitos idiotas.

Quanto à insônia que a vizinha do nosso amigo colunista lhe causa não sei o que dizer. Talvez um Rivotril para dormir feito pedra. Mas meu amigo, confesso que eu estou com um pouco de inveja da tua insônia. E se esta mulher um dia correr os olhos por esta tira que escrevo todas as quintas-feiras, quero dizer a ela que lhe dou todo o apoio moral para que não se cale e que continue com o gritedo. E digo mais: quero uma dessas pra mim! Vizinha? Não, uma mulher, ora bolas. E pelo o que eu entendi do texto o nosso cronista também está a favor dela, exceto o síndico, a imobiliária, a velha ranzinza e beata, mãe de quatro filhos e que nunca transou de verdade na vida. Nunca? Duvido, só quer manter a pose! Viva a liberdade feminina! Viva o orgasmo feminino! Glória ao Senhor! Isso não é pecado! Pecado é não fazer amor. Creio que este pessoal conservador que está tentando calar a moça por meio de carta não pratica isso há tempos. E ainda digo mais: devem estar considerando a moça uma vadia. Mas, para mim vale aquele antigo ditado nesse caso: os incomodados que se retirem. Tem mais outro ditado que diz assim: não é que todo conservador seja burro, mas todo burro é conservador.

Agora eu quero agradecer os elogios que recebi dos amigos leitores referente ao escrito da semana passada. E em virtude disso quero tocar num assunto muito triste que ocorreu na cidade no sábado passado. Mais uma mulher foi vítima de estupro. Até quando coisas desse tipo continuarão acontecendo? Isso não pode passar impune. E eu sei que a partir daqui corro o risco de ser ameaçado, mesmo sem nem conhecer a moça. Dane-se! Já disse na semana passada e reforço agora: homem que faz isso não é homem, pensa que é apenas por falar mais grosso e ter um pouco mais de força física. Será que não sabe entender que: não é não! Meus parabéns para a coragem da vítima que não se intimidou e registrou a ocorrência e somente devido a essa ocorrência que estou escrevendo isso, caso contrário ninguém tomaria conhecimento. Em contrapartida, o meu mais sincero lamento por ela ter passado por coisa tão perversa. Marcha das Vadias de Santo Ângelo já!