O mito, e o blogueiro

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 A cada nova palavra que escrevo eu recordo do que falam sobre o velho Charles Bukowski. Seus livros trazem uma linguagem suja e forte e suas obras não são indicadas pelos professores literários. O velho Buk, como é chamado por seus leitores, era um senhor de idade quando ficou conhecido mundialmente. No seu livro Mulheres ele explana com clareza todo o seu sentimento em relação ao sexo e as mulheres.

Acredito que o velho Buk, embora não fosse visto como tal, era um cara que acreditava no amor. Por mais que ele falasse friamente sobre o assunto e com certa vulgaridade. Mas o que é vulgaridade? Quando há sentimento, não há vulgaridade. Tornei-me leitor de Buk há poucos meses e por muita insistência de um amigo e professor de História do Direito. É, faz pouco mais de dois meses que me tornei leitor de Charles.

A literatura de Charles atinge todas as pessoas e idades. É franca e direta, sem papas na língua e ele só não foi reconhecido em sua juventude por viver num mundo preconceituoso. Cansou de ser espancado por um pai violento que o despejou de casa quando descobriu os seus valiosos e sujos escritos. Será que eram tão sujos assim? Seu pai traía sua mãe. Quem era o sujo da história? Mas com toda aquela “sujeira”, ele é visto hoje com outros olhos.

Viveu sua vida como um autêntico boêmio. Não ficou rico. Tinha poucos amigos e ainda brigava com eles. Teve alguns amores, escreveu sobre eles como qualquer outro faria. Realmente ele mereceu o status de escritor.

Como todos sabem, eu não sou um amante da literatura. Não domino a língua culta e foi por essa razão que escolhi os números. Comecei a escrever simplesmente para desafogar algum sentimento. Desde os 16 e hoje me pergunto: e se tivessem indicado obras como Misto-Quente, naquela época? Hoje, quem sabe, eu poderia ter um livro publicado, pois agora tenho fome de leitura. Mas não. Preferiram indicar Machado de Assis cuja obra eu até hoje nunca li inteira. E só leram aqueles que tentaram o vestibular na federal, pois seria questão de prova. Nada contra quem gosta deste tipo de leitura, mas talvez seja por essa razão que eu tenha escolhido os números e não as letras. Os números sempre foram mais diretos e exatos, mostravam logo a luz no fim do túnel. Dom Casmurro parecia um abismo sem fim naquela época, Helena parecia ser a bruxa do 71.

Eu fui educado por minha avó e muito bem educado. Ela é de outro tempo e eu sou deste. Deixei-lhe com a cara no chão outro dia devido minha linguagem barata e suja. Ela não me bateu e nem me expulsou de casa, apenas teve vergonha. Sinto muito. Porém de outro lado aqueles que são do meu tempo, deste tempo, entenderam o que eu quis dizer. Sou um amante do romantismo embora eu seja taxado como foi o velho Buk. Que absurdo me comparar ao velho, sequer estou aos pés dele. O velho é um mito! Eu sou blogueiro. Agora, aos amigos que gostam do que escrevo o meu agradecimento, e aos que por uma e outra razão não apreciam, minhas mais sinceras desculpas. Não sou perfeito e não quero um assento na Academia Brasileira de Letras.