O relato de Bia: desabafo ou desespero?

0
133

 É tudo culpa sua e de suas falsas promessas. Te dei as mãos por duas vezes e como se não bastasse mentir na primeira, tu repetiu a dose na segunda vez. Agora não venha com esse papo furado de que é para eu ter calma e que tudo vai dar certo. Eu cresci e aprendi que não é verdade o que me diziam na infância que “quando casar sara”. Na verdade tu és um baita de um trovador safado e quer que eu não minta se eu aprendi tudo isso contigo. Minha paciência se esgotou.

No momento eu acho graça, pois quando eu sento à beira da sarjeta com as botas sujas, tu chegas de mansinho trazendo lembranças de um tempo antigo e que nunca irá voltar. Te arrependeu? Eu já não penso mais no passado, vivo o presente, logo, deixe-me beber a minha vodka, me deixe tomar minhas boletas e pare de falar ao pé do meu ouvido, tu estás atrapalhando o som da Identidade que estou ouvindo. O que? Tu estás chorando? Ora, que emoção, vou cortar meu coração e dormir na pia de preocupação. Vá se f.! Seria um engano meu? Algum dia tu esteve certo?

Pode até parecer lorota, conversa para boi dormir, mas não. Eu me sinto melhor a cada merda que eu apronto. Se gostarem ou não o problema não é meu e sim de quem fica e quem acredita. Guarde as tuas flechas, já comprei o meu escudo e é de ouro. Não será tão fácil atravessá-lo. O reflexo dele ofusca as tuas investidas, fura os teus olhos. Vá tentar enganar outrem porque a mim tu não vai enganar. Três vezes? Bem capaz! Três anos, depois mais quatro vivendo dentro de um feitiço infernal, mas ainda bem que vaso bom quebra e tu me derrubaste e eu quebrei.

Está amanhecendo e parece que o dia será daqueles dias bem azuis da cor do teu olhar que parece ser angelical, mas sinceramente eu te comparo ao demônio. Será o efeito alucinógeno que adentrou em minha cabeça e me faz pensar assim? Quem foi que te deu esse nome? Tenho me perguntado nos últimos dias. Cupido não é? Bem que eu notei, a primeira sílaba resume o que tu és. Pena que tive o azar de me prender nas cordas que tu deixaste pelo caminho, a cada passo que eu dava era um nó que se prendia em meus pés. Mas nem só de azar eu vivi. Quando eu fui ao chão essas cordas se soltaram, fiquei em cacos, mas encontrei uma cola que foi capaz de grudar caco por caco, cada um no devido lugar.

Agora sou o que falam por aí, um vaso ruim. Uma espécie de urna onde os antigos deuses trancafiavam os espíritos malignos, tais urnas eram inquebráveis. Dessa forma faço o diabo com quem se apaixona por mim. Viu só do que você é capaz? Tornei-me uma pessoa sagaz, astuta que frequenta os melhores festivais, estes no meio do mato em busca apenas de prazeres sujos e sem se importar com o tal do amor. Foda-se Cupido! Psique fez bem ao ascender a luz do quarto. Transformei-me no pesadelo dos meus pais, no desejo carnal e a inspiração dos rapazes que tocam guitarra!