Quinta é o canal

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De volta às origens. Indo aos pés no mato. Catando lenha pra fazer o fogo. Seu Marilei tocando o gado com sua lanterna de foque avançado. Fila do banco. Estou com sorte, só falta um. Logo sou eu. As mesmas caras. Todas fechadas andando nas ruas e muito mal pagas. O time perdeu e caiu fora e não foi pras quartas. Pqp. Que garota linda. Tem um cabelo bonito. Alaranjado. É muito bonita pra um sujeito que lida com tubos e fios de cobre. Mesmo formado numa faculdade. Não juntou dinheiro, quis ser ele escritor. Ela de lábios macios, feito a melhor carne que vendem no açougue. Seios pequenos e proporcionais que apontavam para o céu. As suas pernas, coxas e traseiro eram firmes, pareciam rochas curvadas. Sabia andar na garoa. Oh, jovem garota. Vinte e um janeiros. A perdi de vista na sinaleira, eu não lembro da rua. E o guaipeca rasgando o lixo, conseguiu um osso, e o roeu. Quis adotá-lo, mas antes disso ele foi-se embora. Ele é um canino que gosta dos becos e sacos de lixo e dos ossos estocados nos sacos de lixo. Vi uma Suzuki muito bonita. Vermelho Chassi, duzentas e cinquenta e muito potente. Quatro e quatrocentos, é muito dinheiro. Me senti tão pobre, mais do que já sou. Botei a mão no bolso. Duas pratas e um níquel. Pensei na garota. Ela sentada no banco traseiro daquela moto e bem agarrada no motoqueiro. Diabo! Fiquei a ver navios. No outro banco, mais uma fila. Mas tinha cadeiras. Boas cadeiras. Tomei dois copos daquela água. Tava gelada e era do governo. Estadual, do Tarso Genro. Que é petista. Que antes era um anarquista. E hoje é quase um direitista. Não, a água era minha, afinal, eu pago ela. Eu pago ICMS. Eu era canhoto, hoje sou destro, mas ainda chuto com a esquerda. Já deixei barba, uma costeleta e até um bigodinho bagaceiro. Por isso fui chamado de lobisomem, de Wolverine. Patife dos anos 20. Cafajeste. Mas, estes dois últimos, dolo do bigode. Mas era isso que eu queria. Enfrentar os julgamentos dos juízes de hoje em dia que não têm teto de vidro. Na segunda-feira, acordei cedo, tomei café e comi um pão. Com margarina que tinha sal. A gata miou pedindo ração, dei um punhado e ela comeu. Vi outros filmes, uns de ação e uns de chorão. Benjamin Button era um velho que era menino que foi num bordel. Pagou por elas e viu o céu. Virou um caso e se apaixonou ainda velho por uma criança. Lembrei de Lolita. Sua mulher, ela era ruiva. Depois ficou velha, um tanto enrugada. Cicatriz no joelho, quase ficou manca. Dançava ballet. Cuidou dele até que ele morresse jovem, muito jovem. Pra entender o texto, basta só comer um gafanhoto. Porque tá na moda e isso é cool. Mas é só um. Mas se quiser coma dois pra ficar doido. Coloque um pircing na hemorróida. A troco? Porque tá na moda. Faça tatuagem. Faça uma criança. Plante uma planta. Pode ser verde, ou de qualquer cor. Mas se ela for verde vai ser bem melhor. Tu vais dar risada, até do que não tem nenhuma graça. Azar o teu, eu não mandei se abobadar. Então agora cale a boca e vá rezar. Feche o pensamento. Nunca mais pense e reze um terço. Depois um quarto, um sexto. Não, um quinto. Se for “dos inferno” a culpa é tua. E se vocês leram até aqui, muito obrigado, não para mim, e nem pra vocês. Pra redação que publicou. E dá-le grito e bolo frito e não dá nada! Quinta é o canal. Tem texto no jornal. Eles viram a novela e se bandearam pra Capadócia voar de balão. E então ele caiu.