Tanto faz

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Chovia na terça-feira. Era uma chuva sem-vergonha que não molhava o guarda-chuva. A moça atendente serviu-me um copo de café preto, sim, um copo, pois não havia xícaras. Era padaria qualquer lá da zona norte, perto da URI. Na verdade eu queria mais era um lugar para sentar-me a fim de pensar em alguma coisa para hoje. Antes do café eu quis saber informações sobre um curso que pretendem reabrir naquela instituição. Nada vinha em mente, assim como na semana passada. Vi gente que nunca vi, todas acredito eu, bem mais novas do que eu que beiro os trinta. Eu não saí novamente no fim de semana, fiquei em casa dormindo. Caguei mole como diz um amigo, o dono lá do bar. Perdi o palco livre. Não sei se por sorte ou azar. Tanto faz.

Uma das leitoras deste espaço questionou-me a respeito dessa falta de ideias. Quis ela saber os motivos para tanto desânimo da minha parte. Não estou desanimado. O que acontece é que nada de avassalador tem acontecido nos últimos dias. Fui ver o Grêmio, mas isso já não é novidade. Pretendo ir de novo neste sábado, logo não irei ao bar mais uma vez. Que lástima. Porém, quem puder ir não perca a oportunidade de ouvir um tributo ao Cream. Aquele trio, ou melhor, aquele Power-Trio que o Eric Clapton fazia parte. E mais, por apenas oito pila. Mas, e as garotas? – me perguntou essa leitora e – onde andam elas? Mas não sei, eu disse. Apenas, uma que conheci na semana passada ou na outra eu não me lembro. “Conheci” por retrato esta jovem, bem jovem por sinal. Vinte um. É de leão. Trabalha num jornal, mas não daqui e calça trinta e cinco. E descobri isso a olho. Eu falo sério, foi a olho. Sou um bom observador. Mas errei a altura. Ela é menor do que eu achei que fosse. De altura não chega a um metro e sessenta. Que mimo!

As poucas coisas que sei dela eu descobri conversando com ela, assim, nesses sites de relacionamento. É regra ter um. Ah, e é importantíssimo ressaltar que ela não é torcedora do time da beira do lago. Que meus amigos colorados não se entristeçam com a piada. Mas seguindo ela vem do bairro da Azenha, mas não é e nem mora em Porto Alegre. É bonita, e morena. Ah vá! Que novidade né? Quando na vida escrevi sobre alguma feiosa aqui nesse espaço? Mas saibam que nem só de bonitas eu vivi e depois pra mim, não existe mulher feia, e sim mal arrumada. Talvez eu esteja sendo um chato com vocês. Um sem graça. Queria eu ter o senso de humor do Max. Vocês têm que conhecer o Max. Max The Wall. O homem é a comédia em pessoa. É meu amigo há mais de vinte anos. E também é o baterista de uma banda de róquenrôu daqui de Santo Ângelo. Os Guaipecas. Sim, vocês se lembram deles? Já apareceu um retrato deles neste mesmo jornal há dois anos. Ganharam um troféu e dinheiro, mas pouco dinheiro. Há rumores que voltaram a uivar, a latir pelas ruas altas horas da madrugada e num e outro bolicho. Domingo no brique e as onze, eles tocarão por lá seu róquenrôu pulguento. Passem lá. Acoem!

Ah, a moça. Quase me esqueci. É bom esquecer-se de vez em quando. Assim não me torno um chiclé na vida dela. Desse jeito eu não me apaixono novamente. Porém, isso é necessário. Gostar de alguém nos deixa vivo. Mas muitas vezes é preferível se fingir de morto, se comportar como um morto. Por falar em mortos vem aí mais um feriado. Vamos recordar deles, acender uma ou duas velas lá no cemitério. Recordarei do meu pai que já se foi. Do Paulo. Este é o nome dele. Há sete meses ele se foi. Bom feriado pra vocês! E também para todos os outros que não estão mais aqui. E para a moça que trabalha lá naquele outro jornal daquela outra cidade também. E claro, para as leitoras de toda quinta-feira! Se cuidem!