Uma coisa leva à outra, que leva à outra, que leva à outra…

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Vou ter que interromper a “fantástica” série “episódios automobilísticos” e corrigir erros cabais. Nem vou me justificar dizendo que errar é humano. O chavão é velho demais. Eu me socorro em outra fonte: sou amadora. E como amadora, erro. Acho que quem leu a primeira história está até agora se perguntando que carro era aquele afinal, “curto” (rsrsrsrsrs). Grave erro de digitação, eu queria ter escrito Scort, mas estava com sono. E cansada. Muito cansada. O corretor ortográfico não deu conta de corrigir minhas desatenções, ou seja, não serviu para nada. Mas não foi só isso, eu digitei muita coisa errada. Erros de concordância: “por isso, ao paramos” em vez de “por isso, paramos”. “Devo”, com inicial MINÚSCULA no começo de frase. “Tornada” ao invés de tornado. Dúvida sem acento. Dúvida? “Sou”, eu queria dizer sou.
Fora de contexto, os erros não fazem sentido. Nem este, nem outros. São como os pequenos erros diários que cometemos sem querer. Todos os erros, no entanto, geram consequências. Alguns deles podemos corrigir, como estou fazendo agora, outros não.
Eu costumo escrever assim, sem muita preocupação, estou sujeita a julgamentos por isso. Quem não escreve, também está. Todos estamos sujeitos a julgamentos o tempo todo. E daí?

O fato é que não vou me arrancar os cabelos por isso. Eu já tenho poucos. Esse exercício – da escrita – é para mim um ato libertário. É a única coisa que faço sem me exigir excessivamente. Não penso em influenciar a ninguém com as coisas que escrevo, tampouco formar opinião ou gerar controvérsias e polêmicas, para isso é preciso muito conhecimento. E arrogância também. Não dou conselhos, lições de moral, nem receitas. Eu escrevo. Escrevo e só. É o que me habita. Mas curiosamente, esses erros me fizeram lembrar de uma crônica de Lia Luf que li há muito tempo. Dizia ela que errou a grafia da palavra, queria escrever pêra e escreveu pedra. Contextualmente, viria a confusão. Mais ela foi mais longe. Sendo uma autora conhecida e respeitada, ficou imaginando o que isso representaria no futuro, se essa construção textual em particular fosse um dia analisada pelos estudioso de sua obra. E imaginou que eles ficariam tentando desvendar o “mistério”, os desdobramentos linguísticos do fragmento deslocado. Bobagem. Bobagem querer encontrar justificativas e respostas para tudo. Podemos errar. O erro é evento comum. Mas por que erramos? Bem, nesse caso, a complexidade do universo humano não nos autoriza respostas conclusivas. Eu errei por cansaço. Poderia ser por desconhecimento, despreparo ou descuido, poderia ser propositalmente ou por falta de experiência. Por irresponsabilidade ou inconsequência.

Não sofro por esses erros. Penso num amigo que também escreve e eventualmente tem material publicado aqui no JM. Recomendou-me mais de uma vez que entregue o material para que alguém leia antes de enviar para a publicação. Falta-me tempo e disposição. É mais fácil para os outros “enxergar” o erro alheio. Mas um caça-erros não faria de mim uma “escritora” melhor. E me socorro em matéria recente publicada na revista Língua, que afirma que é mais fácil revisar do que escrever. Prefiro assumir meus erros, afinal quem nunca errou que atire a primeira letra.

Na semana que vem, o segundo episódio da série: A caixa do 147.