As pessoas não se medem pelo cargo ou função que ocupam

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Nesta coluna estou me propondo a fazer uma reflexão sobre algo que no passado sempre me incomodou e agora continua a me incomodar por razão inversa.

Desde muito cedo, ainda na minha infância, pelas necessidades que a vida me impôs comecei a trabalhar e a ajudar no sustento da família, trabalhei vendendo picolés, como carregador de caminhão, office boy, auxiliar de crediário, auxiliar de escritório, até ingressar nos quadros da Brigada Militar, onde permaneci por 12 anos. Olhando para o passando guardo com orgulho minha primeira carteira de trabalho profissional, assinada quando tinha 14 anos de idade. Na época eu era mais um no meio de tantos garotos da minha idade, que lutavam as duras penas por um futuro melhor.

Servi o quartel no ano de 1984 e por influência de amigos acabei fazendo o concurso para ingresso na Academia de Formação de Oficiais da Brigada Militar, onde alcancei o posto de Oficial da corporação. Na época, ocupando uma posição de comando, volta meia em solenidades ou em reuniões, pessoas vinham com a pergunta “De que família o Senhor é”? Isso muito me incomodava, ficava pensando de que importa o sobrenome da minha família. Minha resposta sempre foi a mesma, minha família não é muito conhecida, tenho sobrenome “Rosa”, meu pai se chama Adão, trabalha como motorista de caminhão, minha mãe se chama Helena, doméstica, sou natural de Passo Fundo, Vila Fátima.

Tenho para mim que as pessoas não se medem pelos cargos ou pelas funções que ocupam, mas por suas histórias de vida, pela suas posturas, pelas suas ações, por seus atos. Tenho a satisfação e a honra de ter na  vida conhecido e de conviver com pessoas de fibra, pessoas de bem, pessoas de idoneidades irreparáveis, que não ocupam cargos ou funções quaisquer, mas que na sua simplicidade são respeitados por todos que os rodeiam, amigos de verdade, pessoas que tiro a camisa se necessário for e que tenho a certeza tirariam por mim.

Hoje, na condição de Juiz de Direito e Professor Universitário, tenho a noção de que muitos, não vêm à pessoa, mas sim a função, o cargo, aliás, muitas pessoas que ocupam cargos ou funções proeminentes se servem do cargo e da função para obter vantagens ou projeção, o que para mim corresponde a uma distorção. Os cargos e as funções que ocupamos são efêmeros, as nossas ações e a conduta é o que fica, orgulho-me de ser filho de Adão e de Helena, caminhoneiro e doméstica, somos quem somos, todos temos nossas origens, isso não é o fundamental, muito menos o cargo ou a posição social que ocupamos, as ações sim, essas podem nos medir e avaliar. Um abraço mãe, saudades de ti meu pai querido, sinto tanto tua falta, tua simplicidade, agradeço a vocês por ser quem sou, como pessoa e só como pessoa, o cargo é só uma consequência.

Um ótimo final de semana a todos.