O Sentido da Vida

0
122

Hoje ao parar para escrever essa coluna, fiquei parado olhando para a tela pensando em escrever sobre um assunto, outro assunto e as ideias não fluíram, ocorre que nesta semana em especial, fiquei muito chocado com o óbito da amiga e colaboradora das causas das crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, Maria Cristina Basso, a qual, de forma inesperada acabou nos deixando, me fazendo pensar acerca da brevidade e do sentido da vida, da necessidade de vivermos intensamente e de forma harmoniosa, de cultivarmos amigos, estender a mão a quem precisa, sem segundas intenções, fazer o bem, não desejando o mal.

Conhecendo a Cristina Basso no período em que foi Coordenadora do Lar do Menino tenho a convicção de que pautou sua vida por esse caminho, o que pode se perceber pelas inúmeras manifestações de carinho e consternação que foram endereçadas à família nos últimos dias e que pautou as redes sociais e os meios de comunicações locais.

Existem pessoas que passam por esta existência e, infelizmente, não deixam saudades, pelo contrário, como dizem as boas e más línguas “vão tarde”, o que absolutamente, não é o caso da querida por todos, Cristina Basso.

A dor da família é imensa, ainda mais quando a pessoa está bem e de repente, do nada, acontece uma coisa dessas. Perdi meu querido pai em situação semelhante há dois anos, dois meses e 27 dias atrás e vivi essa dor, contudo, pensar no exemplo de vida, na pessoa humilde, alegre, acolhedora, afável, sempre disposta a tudo e que viveu intensamente, me conforta todos os dias e com certeza confortará a família da Cristina.

A forma inesperada da morte, como aconteceu com meu pai e com a Cristina Basso, com toda a certeza causa uma dor ainda maior na família, contudo, hoje fico pensando que quem viveu tão intensamente e de forma tão pacífica com todos, não mereceria passar os últimos dias de sua vida em uma cama, sem autonomia, penando, ou vegetando. Já disse a minha esposa e a meus filhos que se puder escolher a forma como deixar essa existência, que seja exatamente assim, com qualidade de vida, o que, aliás, penso seja o desejo de todos.

Mas nós não temos esse poder de escolha, Deus não nos permite isso, não sei se teria a força de tantas pessoas e amigos que enfrentam a doença de forma tão altiva, sem esmorecer, confortando os que estão ao seu lado, como se não estivessem eles doentes, sem se lamuriar até o fim, essa é outra virtude de quem compreende os desígnios da vida.

Também vejo que não é fácil para a família confortar diariamente quem está acamado, enfermo, tentando animar, dando atenção, carinho a quem está desistindo de viver, são as provações que nos são colocadas e que bem ou mal temos que enfrentar.

O sentido da vida não está na ostentação, no acumulo de bens materiais, na vaidade, inveja e mesquinhez, nada disso, feliz de quem cultiva amigos verdadeiros, quem faz o bem sem pretender nada em troca, quem tem o reconhecimento dos outros por suas ações e não por uma posição social, quem estende a mão sem pensar em recompensas, quem tira a camisa para dar a quem dela precisa, esses podem morrer fisicamente, mas jamais espiritualmente, sempre estarão na memória das pessoas, como alguém que fez a sua parte por um mundo melhor.

Não pude estar nas últimas homenagens a Maria Cristina Basso, por estar em viagem, mas mais uma vez deixo aqui o meu reconhecimento e meus mais sinceros pêsames à família.

Um ótimo final de semana a todos.