Será que tenho problemas verdadeiros?

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A vida é feita de desafios, alegrias, tristezas, obstáculos, conquistas, derrotas, dificuldades, realizações, paixões, desilusões, frustrações, entusiasmos, saúde e doença. O homem que consegue explorar outros planetas com sondas e robôs, que projeta colonizá-los, que decifrou o código genético dos seres vivos, que idealiza teorias do início da vida, distante da concepção de um “Deus”, não conseguiu e nunca conseguirá criar uma máquina, ou uma fórmula mágica que filtre só as coisas boas, imunizando as pessoas das situações e momentos desagradáveis.

Na grande maioria dos casos, os atos de bravura, os heróis, os vencedores, os exemplos de vida são forjados nas dificuldades, embora isso poderia e deveria ser diferente, na medida em que estando a pessoa na bonança, sem maiores problemas em sua vida, poderia direcionar todas as suas forças a auxiliar e a criar condições para a felicidade das outras pessoas, contudo, dentro do individualismo que permeia o ser humano, existe uma preocupação primeira com o eu e não com o outro. Mas isso é um bom tema para outra reflexão, que não propriamente a que me propus a fazer nestas breves linhas.

Dentro do emaranhado de percalços que a vida nos impõe, existe uma tendência – não sei se natural, ou fruto da pobreza de espírito – de colocar os nossos problemas acima de todos os outros, por mais fúteis que sejam. Existem pessoas que entram em depressão por obstáculos e dificuldades que aparentemente são mínimos, frente aos problemas extremos vividos por outras pessoas, fazendo terra arrasada em cima de algo que poderia ser  ultrapassado sem maiores dificuldades, ou com alguma dificuldade, mas superado sem maiores estragos.

Tenho convivido com alguns amigos e conhecidos, muitos bem jovens, enfrentando doenças de difícil prognóstico, mas que as enfrentam com altivez, coragem e desprendimento, outros amigos que perderam filhos e parentes jovens de uma forma inesperada e que buscam no dia a dia entender e acima de tudo superar esses percalços, o que verdadeiramente não é fácil. Diante de tais situações qualquer outro problema que possamos conjecturar se torna um nada, fumaça, uma mesquinharia, me faz pensar o quanto superficiais e fugazes são as pessoas.

Por óbvio que não podemos desprezar as nossas dificuldades, os nossos sofrimentos, como se diz “cada um sabe onde o sapato aperta”, mas devemos enfrentá-los sem uma superavaliação, dimensionando-os corretamente, sabendo que situações bens mais graves poderão nos ser impostas e que mesmo assim terão que ser enfrentadas. Como? Não me peçam, espero não passar por tão sublime provação.

Será que tenho problemas verdadeiros? Acho que não. Bom final de semana a todos.