Solidariedade?

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A partir desta edição tenho encontro marcado com os leitores do Jornal das Missões, espaço que ocuparei uma vez por semana nas edições de sábado, por obra do gentil convite da minha ex-aluna Neiva Debbaco, convite que aceitei de pronto pelo prazer de me dirigir às pessoas que buscam fazer uma reflexão sobre temas ligados ao Direito, mas que dizem respeito a todos, notadamente aqueles vinculados à infância e juventude – área na qual milito há um bom tempo – e ao idoso, temática que foi objeto de minha dissertação de mestrado e com a qual trabalhei por doze anos durante o período de atuação na 2ª Vara Cível de Santo Ângelo.

Pode parecer estranho ao leitor alguém que se interesse e trabalhe com duas temáticas aparentemente distantes, infância e idoso, porém são exatamente esses dois extremos da vida que exigem uma especial proteção, notadamente para aquelas pessoas que pelas agruras da vida não têm condições de se manter e de serem mantidas com dignidade. Sinceramente não sei o que é mais deprimente, uma criança abandonada, violentada pelos pais, inserida em uma casa de acolhimento institucional (abrigo), ou um idoso que vê os dias passar sem nenhuma esperança e afeto familiar, depositado em asilos. Essas situações, que chocam a todos, paradoxalmente, são produzidas pela única espécie animal que se diz racional, evoluída e que ao mesmo tempo é capaz das maiores atrocidades, chamada de homem.

Mas existe solidariedade na raça humana, existem pessoas que se penalizam, que se emocionam, que não se conformam, que saem às ruas em pedágios solidários, que ficam às portas de supermercados coletando donativos, que fazem campanhas, que fazem trabalhos voluntários, que fazem ações sociais, outros que auxiliam anonimamente sem fazer questão de mostrar a cara, todas elas pessoas que verdadeiramente fazem a diferença. Ainda bem que existem pessoas assim, o que nos faz crer que é possível ter esperança e acreditar em um mundo melhor.

E é justamente em momentos como o que se aproxima, Natal, assim como acontece na Páscoa, Dia das Crianças, Dia dos Idosos, entre outros, é que parece que a nossa solidariedade aflora com toda a força, não nos conformamos que alguém possa estar passando por privações em tão significativas datas, muitas pessoas querem ajudar, querem mostrar sua solidariedade, na Vara da Infância e Juventude é comum aparecerem pessoas querendo levar para suas casas crianças que estão em abrigos, no período do natal e final de ano.

Às vezes me paro a pensar se essa solidariedade que aflora nessa época do ano, não tem como pano de fundo uma necessidade que temos de expulsar nossas culpas, nosso individualismo, mostrar que somos diferentes, que nos importamos com o outro, ocorre que as necessidades destas pessoas não se resumem às datas festivas, todos comem, todos precisam de um teto, todos precisam de carinho, atenção e em especial afeto durante os 365 dias do ano.

Solidariedade? Calma, sim, somos todos solidários, temos que ser, preocupamo-nos com o outro sempre, que todos os dias sejam dias mundiais de solidariedade, que se multipliquem as pessoas solidárias, vamos construir um mundo melhor. Um Feliz Natal a todos.