Aprendendo a aprender em 2014

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Sabemos que o aumento pela oferta e pela procura de formação pessoal e profissional tem crescido muito nos últimos anos, formando curriculuns que impressionam. A questão que fica cada vez mais difícil para quem está buscando preencher uma vaga é saber se o profissional realmente aprendeu aquilo que está apresentado no seu curriculum.
Para muitos especialistas na área, apesar do aumento do número de cursos, palestras, treinamentos e principalmente dos números crescentes de concluintes de ensino médio e graduação, o país não tem gerado profissionais preparados na quantidade suficiente para as vagas necessárias. Ou seja, segue faltando no mercado profissionais realmente capacitados. E assim, o que fica evidente é que muitos profissionais não estão apreendendo a aprender. Ou seja, estão aprendendo errado. Fica claro que muitas pessoas buscam diplomas sem responsabilizar-se pelo conhecimento que deve estar vinculado ao diploma obtido e fica-se com a sensação de que se sabe mais do que realmente se sabe.
Rogério Boeira, especialista em desenvolvimento de pessoas e fundador da escola Cultman, apresenta alguns motivos pelos quais a forma tradicional de aprender não é suficiente:
– Se dá muita importância para a certificação ao invés do conteúdo – Aprovação não é sinônimo de conhecimento, como já sabemos, pois aprender requer grande dedicação, atenção, tempo e custo emocional, pontos que muita gente não tem consciência.
– O “mínimo esforço” – A partir do que se entende como autopreservação, há pessoas que economizam a energia que deveriam gastar com o esforço necessário para aprender. Por este motivo, há menos dedicação do que a necessária para manter a concentração durante períodos mais longos de tempo. O cérebro também opta por focar naquilo que é razoável e que a pessoa pensa que já conhece, procurando poupar energia. Por isso, muita gente prefere concentrar esforços no que lhe é mais fácil, mais palpável e deixa de lado a busca por aprender aquilo que têm mais dificuldade. Além disso, muitas pessoas assim que conseguem passar pelos testes mais complexos procura esquecer, para poupar-se do esforço realizado. A mente procura tirar aquela memória do caminho, em função da pessoa considerar desagradável ou desnecessária, para memorizar algo que lhe parece mais agradável no lugar.
– Há pouco estímulo ao questionamento – Apesar do esforço de instituições e docentes, ainda há pouco estímulo ao questionamento, que aliado à passividade ou apatia de uma parte dos alunos, agrava a situação. Naqueles ambientes em que quando criança o ato de perguntar pode muitas vezes ser motivo de chacota entre os colegas, no mundo adulto, questionar fica relacionado a chamar a atenção para si. Há aqueles equivocados que pensam que quem pergunta muito quer aparecer. Este ambiente gera uma falta questionamentos, onde não há permissão para a dúvida. O desenvolvimento do novo, o rompimento com o que já está estabelecido não é fácil. Admitir novas formas de raciocínio e novas dimensões para as questões é necessário para aprender e para ensinar. Ao estimular e estruturar as dúvidas, é possível aumentar a eficiência das respostas e oferecer melhores resultados, além de antecipar problemas.
– Pouca reflexão – É difícil aprender a aprender e talvez este seja um dos motivos por que a reflexão é escassa durante o processo de aprendizagem. Valorizar os diferentes níveis de experiência e a livre associação de ideias é essencial na hora de internalizar assuntos discutidos. Uma dica importante é todos os dias procurar ter um tempo para refletir sobre o que aconteceu no trabalho, de preferência, anotando os pontos em que se sentiu mais desconfortável ou vulnerável.
Desejando que todos nós aprendamos a aprender muito em 2014, aproveito para desejar também aos amigos leitores um feliz e próspero Ano Novo, com muita paz, saúde, sucesso e prosperidade!