Gigantes que caem

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Jim Collins, professor e pesquisador escreveu há anos atrás um livro muito conhecido chamado “Empresas feitas para durar”, que assim como muitos colegas, utilizo em aulas e trabalhos. Nesta obra o pesquisador apresenta características em comum as empresas com mais de 100 anos de atividades e sendo consideradas de escala mundial. A experiência destas organizações deixam lições muito importantes neste livro, que sigo recomendando. Todavia, em que pese a qualidade da pesquisa e as verdades dos fatos apresentados, nos últimos anos Collins se viu obrigado a lançar uma obra que entendo como complementar a primeira, que é “Porque os gigantes caem”. Ocorre que muitas empresas centenárias, gigantes, que haviam sido alvo do livro anterior, entraram em decadência e sucumbiram. Era preciso uma nova e profunda pesquisa para responder porque organizações e pessoas muito experientes, grandes, tradicionais, consolidadas também podem entrar em grandes dificuldades e fechar as portas, ou sair do mercado, tornando-se irrelevantes.

As pesquisas apontaram que são 5 as fases que levam gigantes a cairem, sendo elas:

1- Excesso de confiança originado pelo sucesso – é quando o sucesso leva a arrogância, pois situação parece tão boa que deixa-se de dar atenção a dicas, comentários, pessoas que foram importantes no passado recente. É aquela fase em que um cliente, um colaborador reclama e ninguém dá importância, ou ainda, quando cada vez mais gente acha que é hora de mudar, mas os gestores, a organização, ficam tão arrogantes, que passam a agir como se eles soubessem e pudessem tudo e os demais não soubessem mais nada.

2- Busca indisciplinada pelo crescimento – ocorre quando as pessoas se empolgam com o crescimento e focam toda a energia no que os leva mais rapidamente ao topo, ignorando outros pontos que poderão ser importantes quando o crescimento não for tão vertiginoso. Nesta fase deixam-se pontos chaves em aberto, que neste momento parecem não ter muita importância, mas no futuro poderiam ser a salvação.

3- Negação do risco – é a fase em que familiares, amigos, assessores dão alguns sinais procurando avisar, orientar, mas não são entendidos e quando o são, correm o risco de ser mal intepretados, ou ignorados. Falta de inovação, ou falta de controles, com decisões tomadas de forma precipitada e sem maiores análises são erros bem comuns nesta fase. Considerando que tudo está dando certo, é mais difícil imaginar que algo pode dar errado e quando a arrogância atrapalha, é mais difícil ver os sinais mais evidentes.

4- Corrida pela salvação – em geral, quando o sucesso leva a arrogância, o fracasso chega, mas com a negação do risco, os grandes se dão conta muito tarde, da realidade da situação e então iniciam aquela busca desesperada por alternativas. É neste momento que quem ainda não tinha a certeza do problema passa a entender e tudo fica mais difícil. Chega a falta de confiança externa, o crédito não vem, os volumes de receita reduzem, os relacionamentos não são tão fiéis quanto se pensou e a pouca energia restante tende a ser gasta em muitas ações diferentes sem resultados positivos.

5- Irrelevância ou morte – é constatação da decadência, quando restam apenas as memórias dos bons tempos, sendo para as organizações o período de grandes passivos sem que o patrimônio cubra e para as pessoas a fase em que as glórias do passado não servem para sustentar o nível de consumo e qualidade e vida desejados.

Se você não estiver em nenhuma destas fases, mas está tendo sucesso, cuidado com a negação do risco e também muita atenção para não tornar-se ou não ser visto como arrogante, o que é relativamente comum. Se você ainda está em busca do sucesso, procure ter uma caminhada mais tranquila, que permita aprender com as dificuldades e ter humildade para que atos arrogantes, inconsequentes nunca atrapalhem suas ações e relacionamentos.

Sugiro para a reflexão questões como: Que fase da vida pessoal e profissional você está? Quais mudanças você fez nos últimos 2 anos? Como está gerindo esta fase e planejando as próximas fases da sua vida pessoal e profissional?

Um abraço e até a próxima.