Organizações Tóxicas

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Ouvindo relatos de procedimentos de determinada organização em relação aos seus colaboradores, procurei algumas leituras que auxiliassem no entendimento da cultura que se instalou naquele lugar. Não encontrei nada que pudesse entender de forma clara o inexplicável comportamento de determinados gestores. Por outro lado, encontrei um livro do psicólogo sul-africano Peter Froust “Emoções Tóxicas no Trabalho”, da Editora Futura e dentre outros, uma matéria da HSM Management – Brasil, sobre empresas que buscaram serem mais contagiantes do que contagiosas.

Já é sabido que doenças como o câncer podem ser desencadeadas por altos níveis de estresse. No livro, Frost discute a dor emocional nas organizações e os efeitos sobre as pessoas que são afetadas pelas atitudes dos gestores e colegas. Ele ressalta que fortes emoções negativas, como a raiva, a tristeza, a frustração e o desespero, podem ser particularmente “tóxicas” para o corpo humano e afetar a habilidade que o sistema imunológico tem em protegê-lo e que o que transforma dor emocional em toxicidade é a resposta dada à ela. As pesquisas constatam que nas organizações tóxicas ninguém levanta discussões que envolvem emoção e dor para não ser visto como “fraco” ou “mole”. Todavia, para o psicólogo, fraco é quem finge que nada acontece, pois existem muitas maneiras de fazer com que as organizações tenham relações mais saudáveis tanto durante, quanto no desligamento das relações de trabalho.

Percebe-se que a vantagem competitiva é maior para as organizações que aproveitam e ampliam a energia intelectual, emocional e o comprometimento de sua força de trabalho. Frost afirma que criar ou ignorar o sofrimento humano diminui significativamente essas vantagens. Para ele, secar as lágrimas de uma pessoa pode ser tão importante quanto fechar um contrato.

Algumas das organizações na lista da Você S.A. das “Melhores empresas para se trabalhar” podem ser bons exemplos de como manter boas relações entre as pessoas no trabalho. Cuidar dos colaboradores está no DNA do Laboratório Sabin (9º do ranking) onde as empresárias relatam em entrevista a HSM Management Brasil, que buscam vínculos emocionais com os colaboradores e um ambiente que favorece o relacionamento, mostrando com excelentes resultados financeiros que é o melhor caminho para a eficiência e eficácia. Os gestores são preparados para falar a verdade, mesmo quando alguém deve ser desligado, mas com amor, assumindo seu papel de líderes e deixando de lado questões pessoais. No Sabin, cuidar do colaborador e ajudá-lo no desenvolvimento de sua carreira não é só responsabilidade dele, mas também da empresa, onde há premiações que estimulam a estabilidade no emprego e a fidelidade dos funcionários. Em média, a empresa investe 18% de seu faturamento na área de gestão de pessoas, com benefícios, programa de participação nos lucros, capacitação e treinamento, apostando ainda, em práticas voltadas para a qualidade de vida. Com o passar do tempo, foram colhidos resultados como a redução de 28% para 12% seu turnover, aumento de 365% no faturamento e 400% no número de clientes em 6 anos, registrando satisfação recorde de 99,83% dos clientes atendidos em 62 unidades de atendimento.

Quem dirige transformando uma organização em tóxica e contagiosa, precisa ser removido deste posto seja pelas pessoas ao seu redor que ao se manterem caladas fazem tão mal quanto o referido dirigente, seja pela sociedade, o mercado que vai se afastando desta organização rejeitando quem cuida tão mal das pessoas e das suas relações.

Cuidar bem de quem está contigo é um investimento para que eles possam desenvolver e manter o seu negócio, levando você para o lugar que deseja.

Um abraço e até a próxima.