Reinventando o Governo

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Precisamos reinventar o Governo em todas as instâncias, pois embora o governo federal é o que mais vem chamando atenção há tempos, é preciso reinventar a estrutura e a forma de governar no país, os estados e os municípios.

Disse Ted Gaebler que “as sociedades funcionam de forma efetiva com governos efetivos” e também, que “o principal objetivo de um governo é ser o catalisador na assistência a comunidade.”

Em verdade, o problema de um governo não está nas suas pessoas, mas sim, no sistema com que trabalham. Governar é navegar, catalisar, facilitar, promover, juntar recursos públicos e privados, para alcançar objetivos da comunidade. Infelizmente, muitas vezes temos a impressão de que o governo dificulta, emperra, desperdiça, espalha e não auxilia a vida da comunidade.

Governar demasiadamente é o maior perigo dos governos, dizia Honoré de Balzac. Precisamos reinventar os governos municipais, estaduais e federal, para que eles sejam orientados por missões, buscando resultados, não somente recursos.

Precisamos nos perguntar por que é que todos precisamos ser avaliados e avaliar performances e desempenhos, e os governos não. O governo deve atender seus clientes, que são os cidadãos e as organizações que juntos sustentam toda a máquina pública com impostos, taxas, multas e contribuições, ao invés de privilegiar os burocratas. Como é possível um governo gastar quase tudo o que produz, com a folha de pagamento? Há quem pense que mais gente e mais organizações devam ser sustentadas pelo governo. Quem pensa desta forma deve imaginar que o governo tem um fim em si mesmo e não deve ter idéia de quem sustenta os governos.

O governo deve ouvir os seus “clientes” periodicamente, deve ser preventivo sempre e não somente curativo, devendo ser descentralizado atuando por equipes e prioritariamente, deve planejar estrategicamente o futuro. O planejamento deve ser junto com a comunidade, por vários motivos, mas principalmente porque as comunidades compreendem bem melhor os seus problemas que os burocratas que ficam fechados em suas salas. As comunidades são mais criativas e flexíveis e seus serviços custam menos, sendo muito mais rápidos e efetivos. As comunidades focalizam mais as possibilidades, do que os problemas.

Vivemos num momento muito infeliz do país, onde tudo o que se diz e escreve é ideologizado, assim como este texto fatalmente o será. Todavia, antes de um posicionamento ideológico deveria se avaliar que a questão de fundo não é a discussão de “público” versus “privado” e sim, de “competição” versus “monopólio”. O monopólio tende a priorizar os interesses de seus burocratas em detrimento dos seus clientes, independente de ser monopólio público, ou monopólio privado. Quando há competição, quem está na disputa tende a priorizar o atendimento e o respeito das necessidades dos clientes por uma questão de sobrevivência no ambiente e na competição. A competição força os monopólios a atenderem as necessidades dos clientes, encoraja a inovação, aumenta o orgulho e o prestígio dos envolvidos direta ou indiretamente.

É preciso reinventar o governo federal seguindo na pressão por mudanças fortes e estruturais, assim como é preciso prestar mais atenção nos governos estaduais exigindo mudanças de postura para que possam reinventarem-se, saindo da condição de intermediários. Obviamente quem está mais perto de nós todos é o governo municipal e neste podemos e é preciso contribuir agora mesmo, enquanto estão sendo sondadas as alianças, os nomes, as pretensões de quem poderão ser os candidatos ao pleito de outubro. Depois que os grupos estejam formados, com os diferentes compromissos firmados restará a cada um de nós duas ou três opções e em muitos casos, velhas escolhas. Com os compromissos feitos, os candidatos definidos, restará nas urnas, em verdade, poucas escolhas ao cidadão. Para reinventar os governos, precisa-se agir agora, ou conformar-se até que uma próxima geração faça a sua tentativa.

Um abraço e até a próxima!