Robotizando a entrevista de emprego

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Dias atrás estive lendo a análise da empresária, consultora e escritora Gisele Meter, sobre as entrevistas de emprego e me pareceu pertinente a metáfora que ela utilizou, comparando os modelos de entrevista de emprego utilizados largamente, com uma ação robotizada. Compartilho algumas partes da análise, visando também orientar os amigos leitores, na árdua tarefa de selecionar pessoas para compor nossas equipes.

A autora pergunta: “Estamos contratando pessoas ou robôs?” “Como se comportar em uma entrevista?” “Qual a roupa adequada para conquistar o emprego dos seus sonhos?” “Quais as perguntas mais frequentes na hora da contratação?”, pois é muito comum ver artigos com títulos semelhantes a estes em vários livros, também blogs, revistas, que versam sobre recrutamento e seleção de pessoal. Por estas e outras verifica-se facilmente que a grande maioria das entrevistas de emprego ainda são muito semelhantes entre si.

Muitos leitores devem estar agora lembrando que muitas das suas entrevistas de emprego tiveram um script parecido com o seguinte: alguém sentado em uma mesa analisa seu currículo e faz algumas perguntas sobre sua formação, experiências em empregos anteriores e algumas competências. Logo em seguida é a vez das perguntas “criativas” cujos recrutadores saem bombardeando os candidatos com questionamentos do tipo: “qual sua maior qualidade?” ou “por que gostaria de trabalhar conosco?”. Há ainda aquelas mais estranhas, como: “se você fosse um animal, qual seria?”.

Segundo Meter, também ocorrem situações pitorescas e constrangedoras, colocando candidatos para realizar dinâmicas que expõe os participantes, inclusive muitas vezes fazendo-os parecer desesperados para conquistar a tal vaga. Algumas seleções chegam a transformar o ambiente num verdadeiro campo de batalha, que em nada se parece com uma seleção comprometida em buscar bons profissionais para desenvolver uma organização.

A área de recrutamento e seleção de pessoas evoluiu bastante, mas em muitos lugares ainda ocorre tudo do mesmo jeito e dentre os que querem inovar, há os que cometem exageros que não contribuem com a seleção dos melhores talentos. Quando de um lado temos empresas que usam sempre a mesma dinâmica nas entrevistas de seleção e de outro lado candidatos estudando como melhor se comportar em uma entrevista de emprego, o que falar e o que não falar, o que vestir, evitando, assim, ser eliminado, vai se percebendo uma automatização na seleção de profissionais, enquanto parte dos candidatos, se “robotizam” para atender as solicitações padronizadas pelas “dicas” de inúmeras fontes que surgem no nosso dia a dia.

Há uma grande incoerência quando se quer contratar pessoas diferentes e se faz uma seleção sempre igual. Pior ainda ficam os casos em que se tolhe a oportunidade de saber quem realmente está se apresentando para a vaga. Ou seja, é preciso evitar que candidatos e recrutadores vão atrás da “resposta certa”, um querendo rapidamente preencher a vaga disponível e o outro querendo muito aquele emprego. Mais do que respostas certas, é preciso termos processos seletivos que oportunizem aos candidatos destacar as suas competências e as organizações encontrarem talentos mesmo fora dos padrões usuais. Se o mercado tem exigido a todo o momento que as empresas saiam do usual, como desenvolveremos nossas organizações com pessoas que fazem sempre tudo conforme se espera?

Fazer uma entrevista de emprego mais subjetiva, singular e humanizada é de fato mais trabalhoso para todos. Todavia, se realmente queremos contratar talentos humanos e desenvolver nossas equipes, devemos assumir esta situação e investir energia, tempo e competências, para seleções diversificadas, diferenciadas e que permitam o destaque das competências de quem se candidatou.

Um abraço e até a próxima!