A macumbeira…

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Já disse e escrevi em outras oportunidades que respeitos todas as opções religiosas existentes. Acho que o ser humano tem que ter fé ! Cada um ao seu modo. Se te faz bem e não prejudica ninguém, que mal tem? Afinal, o Brasil é um país que possui uma enorme liberdade religiosa, quase sem limites. É difícil imaginar quantas religiões existem hoje, em nosso país. Porém, existem coisas difíceis de tolerar. Por exemplo, pessoas que alegam ter poderes e vendem a promessa do mal…

Em outra oportunidade escrevi sobre o “Índio Milagreiro” de Getúlio Vargas, que batia nas casas dizendo ter vindo do Mato Grosso e vendia pedaços de tronco de árvore alegando ser um remédio. Quando percebia que a vítima era realmente frágil intelectualmente, pedia uma bacia com água, uma toalha e um ovo e dizia que ali enxergava que alguém havia feito o mal para aquela pessoa. Pedia então a singela quantia de R$ 2 mil para desmanchar o feitiço. Acabou preso por estelionato…

Mas o caso de hoje supera a ingenuidade e a maldade que existiam na história do “Índio Milagreiro”…

Em São Joaquim, Santa Catarina, uma mulher era conhecida como “A Macumbeira”… Provavelmente daquelas que resolve desde a perda de um amor, doenças incuráveis, conflitos financeiros e até dor de dente…

Certo dia, no ano de 2008, uma mulher grávida de quatro meses resolve procurar a macumbeira. Diz que não quer ter o filho e pede para que ela faça algum trabalho para que aconteça de forma divina o aborto. A macumbeira busca seis comprimidos e, cheia de misticismo indica como deve ser usado o medicamento sagrado. A mulher paga e vai embora com o remédio. Em casa ela toma os comprimidos e no outro dia ocorre o aborto. Ela pega o feto e joga no lixo…

Daí bateu aquele arrependimento… Por que fiz isso?

Ela então procura a polícia e conta a sua história. O delegado instrui o inquérito e envia ao promotor de Justiça e este pede que a macumbeira seja enviada ao Júri Popular pela prática de crime doloso contra a vida.

A macumbeira se defende e diz que não existem provas, mas a vítima apresenta testemunhas e um laudo pericial. A Justiça resolve então encaminhar a macumbeira ao Tribunal do Júri, que deve ocorrer nos próximos meses. Já a gestante conseguiu suspender o processo contra ela por dois anos. (Fonte: TJSC Recurso Criminal 2012.056378-1)
Não sei se me impressiono mais com a macumbeira ou com a gestante. Qual a pior? Aquela que compra o medicamento “sagrado” para abortar de forma divina ou a que venda a porcaria química?

Orações e velas voltadas para o bem, são louváveis em qualquer religião. Todas usam. A comunicação com O Criador sempre envolve gratidão e amor. São as chaves para abrir o diálogo com O Divino, com O Grande Arquiteto deste Universo. Já aquele que promete e promove o Mal, não está amparado por nenhuma luz, recebendo de volta tudo o que plantou…
Das minhas leituras da madrugada: “A vida é uma longa lição sobre humildade”- James Barrie