Filho de irmãos…

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 Complicada. É assim que encaro esta notícia que selecionei no Portal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina no início desta semana e trago aqui para os meus leitores.

Um homem estava sendo acusado de violência sexual contra uma adolescente. Teria tido um filho com ela e havia registrado a criança como seu pai. Durante o processo a verdade apareceu. Ele não era o pai. A adolescente havia engravidado do seu irmão e a família teria feito uma pressão para que o homem registrasse como se fosse o pai verdadeiro, para abafar o caso. Um exame comprovou os fatos.

Preocupada a juíza do processo determinou que a adolescente e a criança fossem para um abrigo. A avó então apareceu e pediu para criar o neto.

Então surgiu um laudo médico, descrevendo que a criança esteve internada, correndo risco de morte. Segundo o laudo médico, 21 dias depois que nasceu, ela havia emagrecido quase um quilo e estava com a respiração comprometida, além de desidratada. As enfermeiras testemunharam que a avó esteve no hospital algumas vezes e tentou arrancar a sonda da criança, dando a entender que preferia que a criança morresse. O relatório que acompanhava o processo apontou que a mãe e a avó não queriam segurar a criança no colo.
Analisando o caso a juíza concluiu que o melhor para esta criança seria retirá-la de sua família e encaminha-la para adoção e destituiu o Poder Familiar dos responsáveis.

Contei a história quarta-feira à noite para meus alunos na faculdade e o espanto foi geral. Mas duas alunas que trabalham na Vara da Infância e Juventude relataram que esta realidade não é tão distante dos nossos olhos e que isso ocorre geralmente nas camadas mais humildes da sociedade. Em alguns locais é normal a violência sexual entre pai e filhos, abafada muitas vezes pela própria mãe.

Chamamos de incestuosos os filhos nascidos de relacionamentos de parentes próximos. Em algumas culturas é crime. Para algumas religiões é pecado. De qualquer forma é um tabu, algo não aceito pela sociedade. A delimitação do que é uma relação incestuosa varia de sociedade para sociedade. Geralmente são consideradas relações incestuosas entre pais e filhos, entre irmãos e entre tios e sobrinhos.

Estudos apontam que talvez a primeira lei verbal que tratava sobre Direito de família, foi criada quando o homem ainda estava em seu estado natural, em tribos, e foi chamada de lei-do-pai, onde os pais foram proibidos de manterem relações sexuais com suas filhas, rompendo a tradição de que o pai seria o primeiro homem da menina.

Complicado né? Mas devemos enxergar a vida como ela é, e não apenas como gostaríamos que fosse. O caso de Santa Catarina é um exemplo de como a sociedade ainda precisa evoluir em matéria de educação e cultura…

Das minhas leituras da madrugada: Deves enxergar a vida como ela é, e não apenas como gostarias que ela fosse, e não terás surpresas…