O gato de estimação

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Ela tinha dois gatos de pelo curto. Um preto e o outro cinza tigrado. Eram como membros da família. Quem possui animais de estimação sabe o que estou falando.
Moradora do Rio de Janeiro, quis o destino que ela e a família tivessem que se mudar para Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. Com certeza, os seus pequenos companheiros iriam juntos. Os gatos começariam uma nova vida em solo gaúcho…

Ela adquiriu duas gaiolas especiais para o transporte e colocou um gato em cada uma. Resolveu então contratar uma empresa para levar os gatos, primeiramente do Rio de Janeiro até Porto Alegre. Contratou a VRG Linhas Aéreas S/A.

Ao desembarcar em Porto Alegre, ela foi buscar os bichanos. Ao chegar no guichê da empresa recebeu apenas um gato. O preto. Perguntou sobre o gato cinza tigrado, e não havia informações sobre o bichinho.

Nervosa ela pede para que localizem o gatinho, mas a empresa lamenta o ocorrido: o gato foi “extraviado”.

Ora, é o fim do mundo! Você confia em uma transportadora um dos seus animais de estimação e ao desembarcar no destino recebe a informação que o bichinho foi extraviado. Imaginem o tamanho da bronca!

Indignada resolveu processar a transportadora pedindo 20 mil reais de danos morais e mais os R$ 78,00 que haviam sido cobrados para transportar o bichinho.

A empresa apresentou defesa e alegou que a gaiola não estava corretamente identificada e por isso não foi possível localizar a encomenda. Lamentou o ocorrido.

A juíza de Uruguaiana, ao analisar o processo, entendeu que a empresa tem o dever de prestar o serviço corretamente e se a gaiola não estava identificada a empresa deveria ter observado isso e exigido a identificação durante o processo de revisão das mercadorias. Para a magistrada, a empresa não poderia ter recebido a mercadoria sem identificação. Como recebeu e não conseguiu entregar, terá que indenizar.

O valor estipulado ficou em R$ 5 mil mais o valor de R$ 78,00 referente à taxa de transporte. O decisão foi confirmada pela Turma Recursal do Tribunal de Justiça em Porto Alegre (processo n. 037/3.11.0000629-0).

Agora, pergunto: Que fim levou o gato? Onde ele está? Foi entregue para outra pessoa? Fugiu? Foi solto? Morreu? Se morreu, onde?

São perguntas sem resposta, em razão da irresponsabilidade de quem ficou de entregar uma carga viva em um local determinado a alguém que confiou…

Das minhas leituras da madrugada: Confiança só se quebra uma vez.