Operação Sétimo Mandamento

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Depois da exibição na RBS/TV para todo o estado da reportagem sobre a “Operação Sétimo Mandamento” em Crissiumal meu telefone começou a tocar e comecei a receber alguns e-mails. “O que está acontecendo, novamente em Crissiumal? O que houve no cartório de lá ?” Então resolvi dedicar este meu espaço semanal para escrever sobre o assunto.

Em dezembro do ano passado fui designado pela juíza de Crissiumal para apurar supostas irregularidades no cartório de Crissiumal. Quatro pessoas do cartório foram afastadas naquele dia e então assumi com minha equipe o serviço pelo prazo de 90 dias, tendo que entregar dois relatórios de tudo que encontrasse. Durante estes 90 dias a juíza foi removida para Tapes e o processo ficou parado. Mais tarde assumiu um novo juiz. Este novo juiz prorrogou nossa passagem lá por mais 30 dias, que é o limite que a lei permite. Neste período entreguei três relatórios que, somados, chegaram a 420 páginas. Vencido o prazo dos últimos 30 dias, e o processo não estava julgado, a titular do cartório pediu para retornar. A lei 8935 diz que o afastamento dela não pode ultrapassar 120 dias. Foi autorizado o seu retorno e o processo aguarda o julgamento final.

Então, o meu relatório foi encaminhado para a Polícia Civil e lá começaram as investigações.

Um dos assuntos divulgados pela mídia, e apurado por nós, foi a questão dos veículos batidos e reformados que vinham de outro estado e depois eram emplacados em Crissiumal no CRVA (Detran), que é vinculado ao cartório, onde era retirada a palavra “sinistrado” dos documentos. Um carro batido e reformado (sinistrado) pode valer até 30% menos que um carro que não foi batido e quem compra tem o direito de saber o que está comprando.

Este fato foi apontado pela minha equipe nos últimos dias em que estivemos em Crissiumal e o delegado já vinha investigando casos desta natureza no município. Daí surgiu a necessidade de aprofundar as investigações para ver quem mais poderia estar envolvido.

Então o delegado apresentou uma série de documentos ao juiz e ele autorizou a “Operação Sétimo Mandamento” que foi assistida por todos na televisão. Fui convidado a participar na terça feira, quando a Polícia cumpriu os mandados, mas não pude estar presente por outros compromissos e então enviei um dos meus funcionários que passou o dia dentro do Detran de Crissiumal consultando informações, senhas, laudos e outros processos.

Ressalto que a titular do cartório está exercendo seu mais amplo direito de defesa e quando estivemos lá sempre procuramos atender a todos os seus pedidos. Cabe agora aguardar o julgamento pela Justiça.

Aproveito para agradecer a toda comunidade de Crissiumal pelo carinho como fomos recebidos e como ainda somos tratados.