Pelo bem da família

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Ela estava cada vez mais preocupada com seu marido. Moradores de Vitória, no Espírito Santo, ele sofria de alcoolismo e estava viciado em crack há muitos anos.

Em decorrência do uso excessivo de álcool e drogas ele já havia enfartado duas vezes. Vários medicamentos haviam sido prescritos, mas Terezino não gostava de tomar remédios.

Com uma situação insustentável dentro do lar, ela resolveu procurar ajuda na Defensoria Pública local. Algo precisava ser feito.

Na Defensoria foi ouvida e orientada e, junto com o defensor público tomou a decisão: internar Terezino, mesmo contra a sua vontade em uma clínica de reabilitação, para o seu próprio bem.

O defensor público Carlos Eduardo Rios do Amaral entrou com o processo e pediu à juíza da Vara da Fazenda Pública que o Estado do Espírito Santo e o município de Vitória internassem Terezino para a realização de um tratamento médico-psiquiátrico de desintoxicação, com base na Constituição Federal e no Decreto 24.554 de 1934, que admite a internação de drogados a pedido de seu cônjuge.

A juíza Maria Nazareth Caldonazzi de Figueiredo Cortes, ao analisar o pedido, considerou real a necessidade da internação para proteção da saúde e da vida de Terezino, bem como a segurança e a paz de sua família. Decidiu interná-lo.

Na decisão a juíza ainda ressaltou que medidas desta natureza visam resguardar a família e a sociedade contra qualquer ato que venha a ser praticado pelo dependente químico. Em razão da urgência determinou a internação imediata em uma clínica de reabilitação de toxicômanos, devendo o estado e o município arcar com as despesas, inclusive de exames, consultas, transferência hospitalar e todo o tratamento, sob pena de multa diária de R$ 1.000,00 (Processo 0007598-80.2013.8.08.0024)

A droga corrói nossa sociedade. Infelizmente ela está presente em locais mais próximos do que possamos imaginar. O desespero de familiares e amigos quando descobrem que alguém próximo já está no vício é algo que entristece lares e ambientes de trabalho. Por mais que sejam tomadas ações de combate ao tráfico, ainda enxergamos a existência e a circulação deste mal. Temos que torcer, todos que temos filhos, que este mal se afaste dos nossos lares e da nossa vizinhança, pois o dependente se pudesse não estaria nessa, não deixaria sua vida ter se tornado essa desgraça. Se pudesse voltar no tempo, ele não teria entrado. Mas agora, muitos não conseguem sair, e precisam de ajuda. Às vezes, a internação é a única alternativa ou última chance de uma família em desespero.

Das minhas leituras da madrugada: “Pedimos conselhos quando já temos uma resposta que preferíamos não ter”- Erica Jong