A incansável luta dos professores

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 Com toda certeza deve surgir a pergunta: por que os professores não arrefecem suas lutas que realizam ao longo dos anos, incansavelmente? Porque defendem a educação. E isso não é nada fácil como tem sido demonstrado pelos acontecimentos, uma vez que a educação dos filhos dos trabalhadores brasileiros e gaúchos não é prioritária para os governos que se sucedem. Um dos eixos da atual greve, por exemplo, é contra o projeto que propõe mudanças no ensino médio das escolas públicas. A primeira vista parece ser algo interessante, pois a sociedade sabe, pela voz dos professores, que há necessidade urgente do aperfeiçoamento educacional para elevar a qualidade do ensino público e gratuito e que isso é um direito dos seus alunos e, portanto, leva os educadores a protestarem contra a atual situação. Esse projeto do governo e do grande empresariado não obriga as escolas particulares ou privadas. Essas continuam oferecendo aos seus alunos educação integral que os prepara para a universidade e um futuro profissional promissor. Isso é muito bom e é essa educação que os educadores querem para a escola pública, gratuita, de boa qualidade em todos os níveis, além de ser um direito constitucional. Vejamos o que dizem os professores: “O acesso ao ensino superior pode se tornar ainda mais difícil para o estudante da escola pública. O governo Tarso, se conseguir implementar suas medidas, vai piorar a qualidade do ensino público no Rio Grande do Sul. O aluno da escola pública, caso seja implementada a reforma do ensino médio, estará condenado a seguir uma profissão que não seja da sua escolha. E as escolas ficarão submetidas às vontades das empresas. Sem contar que estarão entregues às parcerias com instituições privadas de ensino (Senai, Senac, Sesi, Sesc e Sebrae)”. Continua o texto: “A alteração do currículo, que foi construída sem qualquer consulta à comunidade escolar, rebaixa o nível de ensino. Para que se tenha uma ideia, o 3º ano do ensino médio teria apenas 1 hora-aula de Matemática! Grande parte da carga horária estaria voltada a projetos e estágios com o objetivo de ‘adaptar os alunos ao mercado de trabalho’. Para o governo, quem quiser ingressar em uma universidade terá que pagar para estudar em escolas e cursinhos privados”. (Boletim do CPERS, 21/11/11). Em síntese, dizem os mestres, o projeto do governo para a reformulação do ensino médio visa formar mão de obra barata para as empresas particulares. Não é esse ensino que eles querem para seus alunos. Para a qualificação do ensino público e gratuito em todos os níveis são necessários investimentos do governo e é seu dever fazê-los. Para tanto é necessário aumentar os recursos para o atendimento das escolas, respeitando sua autonomia e para o aperfeiçoamento dos professores e funcionários de escola. Em relação a isso, os educadores além de terem direito a uma vida digna, como todo (a) cidadão (ã) brasileiro (a), precisam para seu constante aperfeiçoamento profissional de salário digno. Por isso, reivindicam o piso nacional de salário, que é um direito, e a manutenção do plano de carreira e inclusão de todos os funcionários em seu plano e concurso público para suprir a carência de professores e funcionários escolares. Se conquistas são mantidas, como por exemplo, o plano de carreira, é porque os professores não arrefeceram, ou seja, não esmoreceram, não desanimaram, não perderam a energia em suas lutas ao longo desses anos, as quais são justas, pois visam também os direitos dos filhos dos trabalhadores gaúchos e que reverterão em benefício de toda a sociedade.