A permanente corrupção

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 Os noticiários do último dia 1º informaram que a Comissão de Ética Pública da Presidência recomendou por unanimidade à presidente que demitisse o ministro do Trabalho, pois suas explicações sobre as inúmeras irregularidades no seu Ministério são insatisfatórias. Sabemos que não é o único ministro, deste governo e de governos anteriores, implicado com a corrupção. Esta, no Brasil, não começou com o operário metalúrgico do ABC e sim, pode-se dizer, com o absolutismo monárquico representado pelo príncipe regente de Portugal que aqui desembarcou com a chamada família real, a qual não se resumiu em uma só família, mas em todas que formavam o núcleo da corte portuguesa. Chegaram e impuseram seus hábitos e seus costumes no uso da riqueza pública como os monarcas absolutistas costumam fazer sem o mínimo de consideração com a população. Mais tarde, seu filho ao assumir o trono implantou até um denominado poder moderador no parlamento com o objetivo de “desempatar” as discussões e decisões ali tomadas, ou seja, decidir de acordo com os interesses da corte brasileira ou dos dominantes. Tanto que a escravidão só foi oficialmente abolida (pois de fato ela persistiu) mais de seis décadas depois da independência e a República só foi implantada praticamente na última década do século XIX. Esses interesses dominantes, com outras características, naturalmente, continuaram mantidos República a dentro e tudo indica, pelos acontecimentos, que além das lutas internas, houve muito balcão de negociações e trocas de favores. Hoje isso se chama “base de sustentação do governo”. Mas, como antes, para manter o apoio de uma base de sustentação a um programa governamental que cada dia mais se afasta das reivindicações e necessidades básicas da população trabalhadora (por ex. a saúde) só poderia ser garantida com cooptação e constrangimento total de uma crítica no interior do próprio Poder, através da dependência econômica dos integrantes dessa base de sustentação. A corrupção deve entrar nessa esteira para quem corrompe e para quem se corrompe, em outras palavras, para o corruptor e o corrompido. O “grande” pretexto nada teórico para a formação desta base é a sustentação que também não tem nada com a teoria, mas tem muito com a ‘prática” para garantir a tal da governabilidade, como se o país não estivesse suficientemente instrumentalizado para a estabilidade política com o judiciário, legislativo, o próprio executivo, além do sistema eleitoral e outros, os quais, aliás, são instituições caras e fortes. No entanto, o que é mais importante para a governabilidade e que essa base de sustentação procura substituir é a real fiscalização do povo com consultas populares como o referendo, o plebiscito e as organizações sociais e entidades de classe independentes do governo, etc., pois, a corrupção e o “pragmatismo” políticos só podem ser combatidos com permanente controle popular e com sérios, justos e profundos princípios e filosofia política. Por exemplo, as noticias do último dia 1º sobre a recomendação, acima citada, da Comissão de Ética Pública da Presidência à Chefe do Estado para demitir o Ministro do Trabalho não seria necessária se a filosofia e os princípios da política fossem sérios, justos e profundamente éticos, pois o Ministro já teria renunciado. O mesmo vale para os demais. Essa questão é grave na medida em que estão em jogo os interesses da população que constrói e sustenta a riqueza que é aproveitada indevidamente por uma minoria, do que se conclui que a permanente corrupção no Brasil também subjuga, à carência de suas necessidades básicas, o povo trabalhador e honesto.