As festas e o mundo, hoje

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 As festas de fim de ano estão aí novamente e com elas, de acordo com a expectativa de cada um, têm-se as frustrações dos projetos e esperanças não realizados ou as alegrias dos alcançados. Como as realizações individuais dependem, em uma boa parte, das questões sociais e econômicas, essas passam a ser umas das responsáveis pelo humor que teremos nas comemorações deste fim de ano. Essas questões continuam praticamente com os mesmos problemas dos anos anteriores, cujos planos econômicos e suas consequências sociais se perpetuam. Nos anos que passaram também se constatava o sobe e desce dos indicadores econômicos com os quais lucravam e continuam a lucrar os especuladores financeiros internacionais e, naturalmente, os donos dos bancos. Hoje, no entanto, é mais preocupante do que anteriormente. A situação internacional segue marcada pela crise global, multidimensional – econômica, social, alimentar, ecológica – que sacode o mundo capitalista. Diferentemente dos discursos sobre o “fim da recessão” ou a “saída da crise”, a realidade da economia mundial continua determinada por contradições maiores que desembocam no “aprofundamento” da crise, com um desemprego massivo, um aumento importante da pobreza (mais de um bilhão de seres humanos vivem abaixo da linha de pobreza) e no risco de catástrofes ecológicas cada vez maiores, conforme atestam as notícias divulgadas pela mídia em geral. No último dia 20, a diretora gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, ao fazer uma advertência sobre as possíveis repercussões da crise nos países pobres durante uma reunião na Nigéria, afirmou: “Atualmente a economia mundial se encontra em uma conjuntura muito perigosa”. Citou ainda que “entre os fatores mais preocupantes estão a crise de confiança dos mercados, os altos índices de desemprego e uma desaceleração geral do crescimento”. Segundo a agência internacional AFP, Lagarde já havia advertido ao desembarcar na Nigéria que “o que está acontecendo nas economias desenvolvidas, particularmente na Europa, é uma preocupação para qualquer um em todo o mundo”. Neste mesmo sentido o destacado professor e economista francês François Chesnais, que também faz parte do Conselho Científico de ATTAC-França, é diretor do jornal “Carré rouge” e membro do Conselho assessor da revista de política econômica “Herramienta”, afirma: “Estamos, entretanto, na fase inicial de uma crise que será muito longa. Desde o ponto de vista capitalista, a solução essencialmente está na Asia. Marx dizia que este tipo de crise, eram as crises que marcavam os limites históricos do capitalismo, nos quais se conjugam o conjunto de suas contradições. Atualmente, a expressão destes limites históricos estará intimamente ligado com uma crise de civilização, uma vez que seu desenvolvimento prolongado e seus sobressaltos se conjugarão com a aceleração dos impactos em diferentes pontos do mundo com a crise do aquecimento climático. Entrou-se em um período, no qual a crise da civilização integrará estas duas dimensões”. Ë neste quadro globalizado que passaremos as festas de fim de ano, aliás, como todos em todo mundo cristão. As comemorações são quase que obrigatórias principalmente para nós brasileiros, para quem esta crise parece ainda distante. Portanto, as festas estão ai novamente e vamos comemorá-las mesmo com frustrações dos projetos e esperanças individuais não concretizados e principalmente com as alegrias dos alcançados. Boas festas a todos!