Às vezes temos que engolir em seco

0
138

Costumo anotar certas publicações que me caem nos olhos advindas dos meios eletrônicos de comunicação, os mais diversos. Sem dúvida, algumas delas são impalatáveis, semelhantes a alguns alimentos que temos que ingerir, sobrando na boca um gosto sem indefinido. Em suma, publicações cujo conteúdo temos que engolir em seco.

A primeira a que me atrevo a publicar é uma topei no Facebook. Foi por ocasião da triste ocorrência das mortes na Boate Kiss, de Santa Maria. Alguém perguntava a uma amiga como tinha repercutido em Santo Ângelo a barbaridade que acontecera em Santa Maria. Ela respondeu:

– Em Santa Maria foi uma tragédia, você viu. Aqui na nossa cidade morreram oito, graças a Deus, nenhum conhecido.

Considerei a resposta uma falha lamentável. Ou ela não sabe se expressar em sua língua, ou não tinha mesmo piedade diante da desgraça que foi incêndio.

Outra vertente que nos obriga a engolir em seco são as letras das músicas mais badaladas. Eu até cheguei a pensar que depois do “Vai Lacraia, vai lacraia – Vai Lacraia, vai lacraia – Vai Lacraia, vai lacraia” tínhamos chegado no fundo do lamaçal! Que nada! Era só o começo do desbunde total, do desprezo à língua materna, ao ouvido, à pessoa. Vê se dá para entender o título dessa música que medra na TV toda hora: “AS MINA PIRA”. Sem querer ofender ao letrista, um baita poeta, acho que a tradução seria esta: “As meninas piram”, ou “As meninas enlouquecem”. É gíria? Tudo bem, a gíria é aceita; mas acabar com nossa pátria língua não se aceita. A mesma letra diz assim, no começo: “Dá balão no namorado Desliga o celular Pode vim, vem festar”. Pode vim? Você pode vim? Mas que diabo de verbo é esse? Ou melhor, que diabo de poeta é esse que não sabe conjugar os verbos que usa?

Bem, deixa pra lá, e vamos para uma terceira historinha de lascar. Não costumo mostrar aqui textos absorvidos da Internet, mas esse, recebi-o de um colega de Santa Maria, pra lá de crítico e inteligente. Vejam só no que dá os interesses particulares acima da verdade:

“Em Aquiraz, região metropolitana de Fortaleza-CE, Tarcilia Bezerra começou a construção de um anexo do seu cabaré, a fim de aumentar suas ‘atividades’, em constante crescimento.
Em resposta, a igreja neopentecostal da localidade iniciou uma forte campanha para bloquear a expansão, com sessões de oração, em seu templo, de manhã, à tarde e à noite.
O trabalho da reforma progrediu até uma semana antes da reabertura, quando um raio atingiu o cabaré de Tarcilia, queimando instalações elétricas e provocando um incêndio que destruiu tudo.

Tarcilia processou a igreja, o pastor e toda a congregação com o fundamento de que a Igreja ‘foi a responsável pelo fim de seu prédio e de seu negócio, seja através de intervenção divina, direta ou indireta, ações ou meios’.

Na sua resposta à ação, a igreja negou veemente toda e qualquer responsabilidade ou ligação com o fim do cabaré.

O juiz, veterano, leu a reclamação do autor e a resposta do réu e, na audiência de abertura, comentou:

– Não sei como vou decidir neste caso porquanto, pelo que observei até agora nos autos, tem-se uma proprietária de puteiro que acredita firmemente no poder das orações, e uma igreja inteira que pensa que orações não valem nada”.

Vá entender esse mundo lá onde o diabo perdeu as botas! Ou foi o Judas?