Cultura – O primeiro Teatro Municipal Antonio Sepp

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Com algumas exceções, a área cultural de Santo Ângelo não pode se queixar das administrações municipais. Pelo menos nos últimos 30 anos, mas, repito, com algumas exceções!
Neste momento em que o município troca de comando administrativo, lembrei-me de um momento ímpar para a Cultura, no que tange a espaços para as suas manifestações: a criação do Teatro Municipal Antônio Sepp, não o atual, mas o antigo, instalado no prédio que era o do Cine Teatro Municipal, havido ali na esquina da 25 de Julho com a Marquês do Herval. Na ocasião, eu escrevi este texto abaixo, no momento de sua inauguração, em agosto de 1981. Eu era, então, Secretário Municipal de Turismo.

– “O móvel básico dos Polos Culturais, assim o interpretamos, é “conscientizar as comunidades quanto aos bens e valores locais”. E foi nesse sentido que assumimos a Coordenação do Polo Cultural de Santo Ângelo, jogando nele toda uma gama de esforços aqui localizados. Concentraram-se, então, numa reunião maravilhosa de trabalho, o Poder Público, as Instituições Educacionais, as Agremiações Estudantis, as Forças do Trabalho, o Comércio e a Indústria locais, enfim, a comunidade santo-angelense.

Dessa gigantesca conjugação de esforços só poderia nascer algo admirável. Não bastasse a sacudida na consciência coletiva, quase que adormecida quanto aos “bens e valores locais”, o Governo Municipal tem hoje a grata satisfação de entregar, não só à histórica Santo Ângelo, mas à Região Missioneira, uma sala para Teatro com 480 lugares.
Em que pese a perspectiva para a Cultura, na Administração Integrada “Schroder/Denardin”, e o decidido apoio que dá a todas as manifestações artístico-culturais, um outro dado convém ressaltar: a representatividade histórica do prédio que ora toma o nome de TEATRO MUNICIPAL ANTONIO SEPP. Entende-se assim uma valiosa tentativa de conservar um monumento que faz parte da memória de Santo Ângelo.

E para coroar todo o empenho comunitário, inaugura-se a nova sala de Teatro com a peça “ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU”, o drama jesuítico das Reduções do Paraguai – o próprio drama da Redução de Santo Ângelo Custódio. Alia-se a isso a homenagem que se presta ao “Gênio das Missões” – pe. Antonio Sepp – que empresta o nome para o Teatro Municipal.

Devemos acrescentar, no entanto, que, não fosse a implantação do Polo Cultural de Santo Ângelo, vale dizer, não fosse a filosofia que norteia o trabalho de Sua Exa. o Secretário de Cultura, Desporto e Turismo do Rio Grande do Sul – jornalista Luiz Carlos Barbosa Lessa, na sua dimensão cultural, talvez demorasse mais explodir este vulcão aceso na alma missioneira dos santo-angelenses, plantado nos fundões da história aqui passada. O Polo Cultural encontrou em Santo Ângelo um solo fértil, – o gênio redivivo da cultura jesuítica das Missões. E, prezem os deuses, não morra nunca no descaso de quem, por circunstâncias quaisquer, seja o responsável pelo seu crescimento”.

Lamentavelmente, poucos anos depois o Teatro foi demolido pelos proprietários e a comunidade perdeu, além de um pouco de seu patrimônio histórico, o único espaço público para suas manifestações culturais. Paralelamente, desapareceram os Polos Culturais.

Mas, parece que atendendo ao apelo que fiz aos deuses em 1981 para que a “cultura não morresse no descaso de quem fosse o responsável pelo seu crescimento”, cumprindo uma promessa de campanha, o prefeito eleito em 1989, Valdir Andres, devolveu à Cultura o espaço perdido, ampliando-o e fortalecendo-o com o Centro Municipal de Cultura, que hoje abriga, entre outros órgãos municipais, o que chamo de “segundo” Teatro Municipal Antônio Sepp.

Graças a esse espaço é que se pôde desenvolver aquilo que denominamos genericamente de Cultura e que se pôde, também, desenvolver aquilo que há mais de trinta anos buscava-se nos objetivos dos Polos Culturais: conscientizar as comunidades quanto aos bens e valores locais.

Hoje, a comunidade está mais consciente de seus bens comuns e de seus valores. Santo Ângelo ainda é um Polo Cultural expressivo, identidade que não deve e não pode ser ignorada por quem é responsável pelo seu crescimento. Nunca!