O mundo acabou ontem

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E eu que fiz tantos planos para seguir em frente, pensando que o mundo, isto é, todo o universo, só iria acabar daqui a 5 bilhões de anos. Cinco bilhões é tempo que não acaba mais.

Então, eu nem estava aí para essa lorota de que o mundo iria para o espaço ontem. E não é que acabou mesmo? Olhem, meu caros leitores (se é que ainda tem alguém por aí onde o Jornal das Missões chega), olhem para os lados e vejam que tudo sumiu no oco do mundo. Não! No oco do mundo não, porque o mundo acabou ontem. Não tem mais oco para alguma coisa sumir.

E agora, fazer o quê? No meu caso, voltar para o escritório, abrir a internet e ler os mails, dar uma passada no Facebook, continuar a leitura do livro que estava lendo, mas não vai dar porque o mundo acabou ontem. Aliás, eu me preparava para ir pescar lambari no açude do vizinho e, puft, o mundo acabou. Volto para lá ou enterro as minhocas? Verdade é que eu não me preparei para o fim do mundo como tanta gente fez. Fui cético demais, não acreditei nas recomendações de um cara que me mandou, por mail, os dez sinais que provavam o fim do mundo, além do famoso “calendário maia” indicar o dia de ontem para o fim do mundo. Os dez sinais eram esses, e eu, desatento, não dei trela, e mifú!

1. Terremotos. Os desastres naturais parecem cada vez piores. Desde 1900, cinco dos dez piores terremotos da história aconteceram nos últimos 8 anos.

2. Estados Unidos: calor e tornados em excesso. O último chamava-se Sandy.

3. Enquanto isso, na Europa, o frio mata. Se nos Estados Unidos o clima estava quente demais, o frio castigou muito o Leste Europeu, chegando a matar mais de 650 pessoas.

4. Aranhas invadem a Índia. A cidade de Sadiya, na Índia, foi invadida por uma legião de aranhas, enquanto a população celebrava uma festa local. Habitantes locais relataram que as aranhas apareceram repentinamente e os atacaram.

5. Nevoeiro misterioso assusta a China. Um nevoeiro muito denso invadiu a cidade de Wuhan, na China. Cidade com 9 milhões de habitantes, muitos foram os relatos de que a neblina parecia amarelada e com alguns toques de verde.

6. Porco com cabeça de cachorro. Este monstro aterroriza africanos do norte da Namíbia, na África. Representantes oficiais da região acreditam que o ser macabro é fruto de experiências alienígenas .

7. Adolescentes bebem álcool em gel. Com o avanço da gripe A, o álcool em gel se tornou um produto cada vez mais presente no cotidiano das pessoas, não só para higienizar as mãos, mas para beber.

8. Crianças andam cheirando balas amassadas. Cheirar balas esmagadas? Para substituir a coca antes da adolescência?

9. Cappuccino para crianças. Algumas cafetarias têm servido “Babyccinos”, ou seja, cappuccinos para bebês, preparados à base de café descafeinado. A novidade causa polêmica ainda hoje.

10. Asteroide se aproxima da Terra em dezembro. O asteroide Toutatis passará perto da Terra no dia 12/12/12. Coincidência?

Que barbaridade de bobagens. O mundo não acabou ontem, mas podia ter acabado se houvessem colocado ali na lista pelo menos mais dois sinais verdadeiros do fim do mundo, porque são mesmo um fim do mundo.

Primeiro: a corrupção no Brasil com um Senado e uma Câmara que são o próprio fim do mundo.

Segundo: a violência em São Paulo e o trânsito brasileiro são sinais claros do fim do mundo.

Pelo menos é como todo mundo se refere a esses dois descalabros de nossa nacionalidade: um fim do mundo. E são tão verdadeiros que dão sinais que já se esgota o seu tempo, isto é, a corrupção e a violência, se passarem de sua marca atual, vão explodir. E, juntados às aranhas, ao porco com cabeça de cachorro, aos bebês etílicos, ao asteroide que já passou, ao nevoeiro verde-amarelo e ao frio e calor excessivos bebendo álcool em gel, iria ser um desastre.

Mas não foi. A corrupção continuará, a violência também, as nossas contas, nossas dores, nossos vizinhos chatos, nosso salário, também. Em compensação, o nosso planeta continuará com suas paisagens belíssimas, o céu e seus dias de sol maravilhoso, as estrelas, a brisa suave, as flores, o canto dos pássaros, o som das águas do mar e dos riachos e, pasmem, nossos bons amigos, as mulheres e as crianças e, o Natal, esta festa que traduz a alegria e a esperança. Pois que seja ele, o Natal, o que nos mova para um mundo melhor, sem medo de seu fim.