A culpa nos outros

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Semana passada a polícia prestou informações sobre o Inquérito Policial do crime que ocasionou a morte de 241 jovens e infelicitou milhares de famílias gaúchas. Extenso relatório apontando pessoas, às quais foram atribuídas responsabilidades.

Anjinhos do demônio, todas querem eximir-se de responsabilização penal, política e financeira, alegando inocência.

Nem todas têm o mesmo grau de dolo eventual (assumir o risco de matar) ou de culpa (imprudência e negligência). No entanto, os dados revelados e levados para consideração da Justiça podem resultar em condenações, com penas leves e pesadas.

Não entro no mérito do trabalho policial e nem duvido da palavra dos indiciados e de seus defensores, porque não conheço o assunto por inteiro e não serei o julgador do intrincado caso.

Quero referir que é corriqueiro a pessoa procurar defender-se e atirar nas costas alheias toda responsabilidade, o famoso ‘não tive nada com isto’. É compreensível esse comportamento humano.

No entanto, não fosse o grau de culpa de cada pessoa 241 vidas estariam entre nós, preparando-se para assumir atividades na nossa sociedade. Nisto é que se deve pensar.

É impossível imaginar o sofrimento das famílias, uma dor profunda e duradoura, que nenhuma condenação vai apagar.

Mas faz-se necessário punir com rigor os implicados para que a sentença sirva de exemplo e que fatos semelhantes não se repitam nunca mais.

BONDADE

As autoridades de Brasília praticam o bem com uma mão e imediatamente após praticam o mal com a outra. Senão vejamos. Reduziu-se o imposto sobre produtos industrializados – automóveis e utilitários do lar – e elevou-se o preço pago pelo consumidor para combustíveis – gasolina e óleo diesel. A mesma benesse deu-se aos consumidores de energia elétrica e de alimentos da cesta básica, que não se tornaram visíveis nas prateleiras dos supermercados, favorecendo os intermediários.

Por último, com mérito, estenderam-se direitos trabalhistas às domésticas, sem oferecer contrapartida aos patrões, que poderão abrir mão de uma trabalhadora dentro de casa. O bem e o mal ao mesmo tempo.

Mas, enfim, nada surpreende mais neste país de hipocrisia e onde se conversa mais do que se faz.

BADERNA

Democracia pressupõe liberdade de expressão e de manifestação. Nunca desordem e desobediência. Do contrário, teremos um mundo de anarquia ou de uma ditadura sem precedentes.

O país caminha para tempos nebulosos, no qual se pensa conquistar qualquer benefício a partir do desrespeito às leis vigentes no país, e, pior, com a complacência de autoridades. Não pode.

No meu entendimento, é necessário usufruir o máximo do que nos oferece a democracia, sabendo que o nosso direito termina quando inicia o interesse de outrem.

PENA

Sempre fui contra a implantação da pena de morte no país. Por um motivo forte: pode fazer vítima um inocente. No entanto, de tanto assistir a maldade humana, tirando a vida de chefes de família, de jovens universitários, de mulheres e de crianças, chego a imaginar a necessidade da introdução da pena de morte para determinados casos.

A nossa Constituição não permite essa legislação. O espírito do nosso povo também não.

Mas, diante de acontecimentos dos últimos dias, onde a impunidade é a norma, uma revolta atinge os sentimentos.

Porque a pena de morte já existe. Está escrita na lei do bandido e executada por ele.