Ainda não vi tudo

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A impunidade é o mal a ser combatido no país. Não só pela ilicitude dos pequenos, mas também dos grandes. Anos atrás, os crimes comuns eram apenados com reclusão. Eram, disse, hoje não são mais em razão de leis frouxas e de presídios com superlotação. Enquanto isto, os personagens políticos e os proeminentes da sociedade recebem tratamento diferenciado. Passam ao largo dos presídios.

Agora o Supremo Tribunal Federal resolveu agir de acordo com a lei e a tratar a todos dentro das normas penais. Fez, responde pelo crime. Só assim começamos a dar vida nova à democracia. Todos são iguais perante a lei.

Ainda falta muito para termos a garantia da ação da Justiça. Precisamos de leis atualizadas. Precisamos de uma mudança de comportamento da população. Precisamos do respeito às leis.
Ainda existem fatos que escapam de punição. A sociedade reclama do direito de ir e vir com segurança. O Estado não pode omitir-se no cumprimento de sua obrigação.

Nota-se uma transferência de responsabilidade. Segurança é do município. Segurança é do Estado. Segurança é da União. Enquanto isto a população que contrate segurança privada e providencie seguro de vida.

Não é assim num país civilizado. Aqui o povo paga pesados tributos e não tem direito à segurança. Só as autoridades afirmam que sim.

CIVILIDADE

À medida que os anos passam, nota-se uma incivilidade de parte da população. Quando a maioria das pessoas procura agir com respeito às normas sociais, ainda vive uma minoria que teima em descumprir as leis. Velocidade excessiva. Buzinadas à noite. Copos e garrafas pelas ruas. Lixo fora do horário de recolhimento. Colocação de objetos dentro dos rios. Por aí afora.

O brasileiro ainda tem muito que praticar, pois conhecimento ele tem. Por isto, vale transmitir às crianças essas lições básicas de convívio social. Porque advertir, multar e processar se tornaram providências que não deram resposta.

DESRESPEITO

Estamos submissos à máquina. Quando procuramos resolver um problema, recebemos a orientação para discar para um aparelho 0800. Respeitosamente, discamos o número indicado. Aí a máquina pede CPF, Identidade, dia de nascimento, telefone e dados complementares. Atentos e pacientes ficamos presos a uma linha telefônica por longos minutos, ouvindo uma música desagradável.
Vem, por fim, uma atendente que pergunta por dados pessoais novamente e pede o favor para aguardar, pois está transferindo a linha. Mais música e outros atendentes. Finalmente, invariavelmente, recebemos a notícia de que o sistema está fora do ar, ou, como é comum, a linha caiu.

De tanto esperar, perdemos a paciência e mandamos a atendente para aquele lugar, e ela informa que tudo sendo gravado, enquanto os responsáveis não são incomodados.

Este é o país do tudo (não) se resolve do contato da pessoa com a máquina.

TATU

Tatu Bola, o mascote da Copa do Mundo, exposto à população, foi destruído na alegação de que divulgava uma conhecida empresa de refrigerantes. Isto em pleno centro da Capital.

Até pode merecer acolhida o pensamento do grupo de desordeiros por razões ideológicas, no entanto há maneiras mais inteligentes de protestar quando se quer modificar alguma coisa.

Não será destruindo e fazendo enfrentamento com os órgãos da segurança pública que algum problema será resolvido.
E ainda se põe a culpa na Brigada pela repressão legal.