Mil e um amigos

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Ingenuamente, acreditamos que todos que se aproximam de nós sejam nossos amigos. Muitos poderão ser, nem todos serão. Há amigos de verdade e há amigos de ocasião. Resta descobrir um e outro.

Lembro-me de episódio verdadeiro. Um fazendeiro rico, quando se aproximava da cidade, era esperado por muitas pessoas, que vibravam com sua chegada. A festa se estendia noite a dentro.

O infortúnio bateu à porta de sua riqueza e a dizimou completamente. Foi gasto o dinheiro em jogos, mulheres, bebedeiras e, por fim, doença terminal.

O fazendeiro festejado foi completamente abandonado. Restou-lhe a companhia da esposa e dos filhos, mais meia dúzia de amigos de fé. Triste fim.

Não quero desenganar nenhuma pessoa. Cada qual sabe os amigos que têm e com eles convive fraternalmente. No que faz muito bem. No entanto, a separação do joio do trigo é fundamental também na vida.

Quantas vezes derramam falsas lágrimas por nós! E, mais grave, enxergamos somente as lágrimas que rolam rosto abaixo sem nos questionarmos se elas são verdadeiras ou não.

Ao longo dos anos, a experiência proporciona conhecimentos e, por isto, em cada momento, é importante analisar o comportamento dos amigos. Permanecer amigo sincero de todos sempre, mas não esperar a mesma sinceridade de todos.

AMBIENTE

Diversas campanhas têm sido estimuladas no sentido de proteger a natureza. Algumas, no entanto, enganam o consumidor. Cito uma. Proibição do uso de sacolas plásticas, essas fornecidas pelos supermercados. Explicam que o plástico demora quatro séculos para ser absorvido pela natureza. Com o que concordo, é mesmo verdade.

Ao mesmo tempo, não se organiza nenhuma campanha para proibir vasilhame de refrigerante pet, produtos de limpeza, embalagens plásticas e metálicas, materiais que também são responsáveis pela poluição. Por quê? A meu juízo, por dois motivos: querem vender a sacola plástica no supermercado e os demais produtos dão lucro à indústria.

O mal é que a população, ao invés de não poluir a natureza, causa entupimentos na canalização pública. O cuidado deve ser maior.

ESPETACULOSO

O país acompanha curioso e desesperançado o julgamento atualmente realizado pelo Supremo Tribunal Federal. Os advogados dos denunciados, eles altos figurões da República, trabalham com muita competência e tentam provar que houve apenas desvio de dinheiro para pagamento de dívidas de campanha.

Com essa tese, os advogados esperam absolver os criminosos de colarinho branco ou, no mínimo, desclassificar os crimes indicados pela Procuradoria Geral da República.

Prova-se uma vez mais a velha máxima de que ‘os pobres pagam com a perda da liberdade, enquanto os poderosos pagam com cheques’.

Ainda não perdi as esperanças, mas sinto que cheira mal o julgamento.

AMARELO

A morte retirou de nosso convívio o amigo Luís Carlos Benites de Lima, mais conhecido como Amarelo, ativo participante da política e das atividades da comunidade, tendo exercido cargos no município. Coordenava também o carnaval da cidade com sucesso.

Recordo dele, ainda bem jovem, presente nos acontecimentos populares, esbanjando um largo sorriso, demonstrando amizade sincera e desinteressada.

Onde está olha pela família e pelos amigos.

A lembrança e a saudade ficam com cada um de nós.