A Amália era Maria…

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Muita gente acha e eu também que há uma lacuna na imprensa santo-angelense: falta um cantinho para ligeiros dados biográficos dos conterrâneos que viajaram de volta à vida espiritual. Algo assim como Fulano de Tal, vítima de infarto agudo do miocárdio, faleceu quase um mês antes de completar 84 anos de idade… O Carlinhos era apaixonado pelo Inter desde criancinha. Ou o Pedro não perdia jogos do Grêmio no Olímpico. Ambos costumavam seguir a Porto Alegre para ver seus clubes prediletos… Alguns detalhes assim particulares, para melhor identificação dos leitores com o desencarnado.

Na última edição do JM encontro a fotografia da Amália Mousquer, sorridente como era do seu jeito, com os cabelos branquíssimos decorrentes da ação impiedosa do tempo depois de mais de oitenta janeiros. Era o convite para missa de sétimo dia na Catedral Angelopolitana. Muito próprio para ela, católica praticante. Mas o leitor desprevenido deve ter ficado confuso ao ler na última linha do convite a seguinte frase:

– Tia Maria, na casa de Deus há muitas moradas e com certeza a sua já estava preparada. Saudades.

Tia Maria? Como? O nome dela era Amália. É assim que consta na certidão de nascimento dela. A explicação não conheço, mas a Maria nunca foi chamada de Amália, só por Maria.

Fiquei sabendo do detalhe ao visitá-la numa de suas últimas internações no Hospital Santo Ângelo, ela que residia em clínica geriátrica. Ela foi a última das várias irmãs a deixar o planeta. Ser a última a desencarnar tem o dissabor da solidão, a ausência de entes queridos. Só gente estranha ao lado da cama, a não ser, é claro, visitas ocasionais de parentes mais distantes.

Mas eu conheci a Maria desde os 14 anos de idade, quando virei frequentador assíduo da biblioteca pública, então instalada em duas ou três peças do térreo da Prefeitura Municipal. Organizada por Augusto César Pereira dos Santos, a cabeça cultural da época, a biblioteca tinha só uma funcionária: a Maria. Cordial, sorridente, a Maria foi de um jeito só a vida toda e tinha paciência para dar o melhor atendimento ao adolescente que tinha se apaixonado pela leitura. Quando o César conseguiu mudar o espaço acanhado da biblioteca para o andar superior da sede da Associação Comercial, a Maria foi junto e ali trabalhou até se aposentar.

Na última sessão pública do Amor ao Próximo, vacilei um pouco ao colocar o nome da amiga no caderno de vibrações. Amália ou Maria? Decidi por escrever Amália Mousquer, a Maria.

Espero que a mensagem tenha chegado a ela com a rapidez costumeira, mas fiquei desconfiado que o carteiro lá do Alto tenha se atrapalhado na hora da entrega do recado de luz…

A FRASE DO CHICO XAVIER, destacada por Lilian Bade Dorneles – Quando cada um de nós transformar o próprio coração numa taça de luz a transbordar a essência divina do amor, aí estaremos palmilhando com segurança a senda da felicidade.