A Melissa também estava na Kiss

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O médium Chico Xavier sempre se emocionava ao confortar mães que tiveram filhos desencarnados de modo violento: assassinato, desastre de automóvel, incêndio… O impacto inesperado é muito forte, mexe fundo nos que ficaram. Um filme que se baseia justamente em cartas de jovens desencarnados – “As Mães de Chico Xavier” – traz esclarecimento e conforto às mães que ainda não secaram as lágrimas. Vale a pena divulgar o filme e, a propósito, a leitora Neiva Maria Fernandes, residente na Capital das Missões, escreveu:

– Muito lindo o filme. Chorei o tempo todo. Perdi meu filho em acidente de carro, há um ano. Ainda está muito difícil, mas o filme faz a gente pensar em algo diferente.

A jovem Melissa Amaral Dalforno, 19 anos de idade, gêmea com o Leonardo, morava em São Gabriel mas estudava em Santa Maria. Como muitos colegas universitários, a moça compareceu à boate Kiss e lá deixou o mundo físico, na tragédia que todos conhecem. Mara, a mãe dela, conta que a vida da família nunca mais foi a mesma. Algumas interrogações continuam pululando na cabeça da mãe inconformada:

– Pergunto a Deus: por quê? Que fizemos nós, que fez aquele serzinho que só queria o bem de todo mundo? Por que temos de sofrer tanto?

Para tocar a vida para diante, a Mara, acertadamente, trabalha em serviço voluntário num abrigo para idosos, como procura ajudar algumas crianças de que a filha gostava muito. “Agora não vivo mais, apenas sobrevivo”, suspira.

Ao mexer nos cadernos da Melissa, a Mara encontrou texto de autor ignorado, que ela interpretou como recado da filha para ela. Diz assim:

– Não busque aparências, porque elas mudam, não procure pessoas perfeitas, porque elas não existem. Busque, acima de tudo, pessoas que vejam seu valor, te façam sentir especial e que, independentemente de qualquer situação, estejam ao seu lado. Nunca deixe de lutar por medo de errar ou de se machucar, pois as feridas se curam, mas o tempo não volta. A mais bonita lágrima é a da saudade, pois ela nasce dos risos que já se foram, dos sonhos que não acabaram e de lembranças que jamais se apagam. Entre as aflições da vida não se desespere, pois das nuvens mais escuras caem águas limpas, e nas coisas mais simples encontramos a razão de viver.

Para confortar a mãe e o pai João Alberto Dalforno, a Melissa se apresentou sorridente em sonho muito nítido, sorridente como sempre foi na rápida passagem terrena. A jovem mostrou para os pais que está mais viva do que nunca, que a morte não existe e que ela apenas se mudou para a Vida Espiritual. A separação é provisória. Um dia, filha e pais se reencontrarão em clima de muita alegria e felicidade.

***

A FRASE DO CHICO XAVIER, curtida por Leda Stocker Ries: “O amor não prende, liberta! Ame porque isso faz bem a você, não por esperar algo em troca. Criar expectativas demais pode gerar decepções. Quem ama de verdade, sem apego, sem cobranças, conquista o carinho verdadeiro das pessoas”.