A saudade dói muito

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No atual estágio evolutivo em que nos encontramos, a preocupação maior é com os problemas terrenos. Esquecemos que além do corpo físico temos corpo espiritual. Seguimos a caminhada focados tão somente em conquistas materiais. A imensa maioria não dá ouvidos a uma sábia advertência do médium Chico Xavier para os seres humanos de qualquer idade:

– Cuide do corpo físico como se fosse viver duzentos anos e cuide do seu corpo espiritual como se fosse morrer amanhã.

Descuidados, levamos tremendo choque no desencarne de um ente querido e então, só então, somos obrigados a pensar na transição inevitável. Assim somos todos nós, com honrosas exceções e com ligeiras variações. Leitora da coluna traz depoimento e suas interrogações, que são comuns a tanta gente:

– Minha mãe desencarnou no dia 16 de novembro recente. Ela sempre foi uma mulher muito ativa, generosa, humilde, enfim, minha mãe sempre fez tudo o que pôde para ajudar os outros. Ainda assim, ela enfrentou muitos obstáculos na sua vida. Quando pequena passou fome, frio e apanhou muito do pai. Quando casada foi traída pelo esposo e perdeu tudo o que construiu com sacrifício. Mas a minha mãe conseguiu se reerguer, embora sozinha e com três filhos, um deles com apenas oito meses de existência. Encontrou um novo companheiro e agora que estava alcançando um bom nível de vida, até viajando, adoeceu gravemente. Minha mãe contraiu doença rara que afeta uma entre um milhão de pessoas e veio a desencarnar. Nos últimos dias ela estava muito revoltada, apesar de sermos de família espírita. Ela falava que não conseguia entender o porquê dela estar enfrentando tão dura enfermidade, se, afinal, ela sempre se portou corretamente na vida. Eu também não consigo entender. Se aqui se faz, aqui se paga, o que ela estaria pagando? Queria saber se a revolta de que estava possuída na fase final estaria perturbando o seu desapego das coisas terrenas. Estaria sofrendo para se conformar com a desencarnação?

As respostas que a leitora pede são encontradas nas leis universais de causa e efeito, reencarnação e evolução. O que a gente sabe é que nada acontece em nossas vidas por acaso. Nada, absolutamente nada. Tudo tem a ver com vidas passadas, num encadeamento perfeito. Deus não é punitivo. E nem nos concede privilégios. O nosso hoje é resultante do nosso ontem, como o amanhã vai depender do nosso hoje. Quando retornamos à Vida Espiritual vemos uma retrospectiva dos principais fatos das existências pretéritas e então entendemos tudo o que no momento não temos condições de entender. Faltam-nos dados essenciais. Paciência, enquanto isso vamos orando pelos que viajaram antes de nós.

De tudo, fica a saudade dos melhores dias. A saudade dói muito, diz a Neiva Maria Debacco Loureiro. E a Janete Salapata da Silva comenta que, um dia, teve de dizer adeus à filha amada e a vida dela nunca mais foi a mesma, dias de dor e saudade. O Espírito Cornélio Pires, poeta paulista, escreve que saudade é uma flor da Terra que brota no adeus de alguém, com muitas cópias florindo nos grandes jardins do Além.

A FRASE DE MARK FISCHER: “A vida é eterna. E cada alma viaja de uma vida para outra rodeada por companheiros, uns ajudando os outros a cumprir seu destino. Os encontros que temos durante a vida nunca são coincidências”.