Breves reminiscências

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Olívio Pires de Oliveira, sócio das abelhas na produção de mel de excelente qualidade, me presenteia com exemplar do Jornal da Manhã, de 22 de março de 1973, edição especial alusiva ao centenário do município, o que enseja lembranças do passado santo-angelense. O jornal era dirigido por Roberto Rudi Rammé, Pedro Belmonte e Valdir Melchior e o preço do exemplar custava um cruzeiro. A Expo-100 recebeu a visita do governador Euclides Triches, do ministro das Comunicações Higino Corsetti, diversas autoridades federais e estaduais, e dos deputados Hed Santos Borges e Rubi Mathias Dihel (tempo em que Santo Ângelo tinha dois representantes na Assembléia Legislativa), todos acolhidos pelo prefeito Siegfried Ritter e vice-prefeito José Alcebíades de Oliveira.

Folheando as páginas do jornal encontramos anúncios dos restaurantes da moda de então: do Titio, do Ivo Weber, na Galeria Miriam, e do Vitor Rocha, no Clube Comercial. Henrique Schultz anunciava que a nova Rodoviária seria inaugurada no dia 21 de abril de 1973, como efetivamente aconteceu. O Diretório Acadêmico da Faculdade de Ciências Contábeis e Administração se congratulava com o centenário da nossa terrinha missioneira, em nota assinada pelo presidente João Augusto Nardes, 1° vice Harry Streppel; 2° vice Ernani Azambuja e pelo 3° vice Harald Rieger. Ely Renner Prestes vendia automotrizes Clayson e tinha saudação de página inteira. Jandir Schau de Araújo, presidente da Cotrisa, Ricardo Leônidas Ribas, presidente da Comissão Central dos festejos e Armindo Braatz, presidente da Expo-100, comemoravam o êxito da festa.

Mas o Jornal da Manhã trazia também entrevista com Assumpção Pires de Arruda, com 99 anos de idade. Tropeiro, carreteiro, fazendeiro e muitas coisas mais, como escreveu o Belmonte. Assumpção contou que era muito procurado pelo fazendeiro e político Marcial Terra, de Tupanciretã, e detalhe inédito para nós: foi o Assumpção quem descobriu a água mineral de Santa Tereza, comprovada por técnico de mineração trazido de Porto Alegre. O entrevistado conta que “depois surgiram uns graúdos e tomaram conta de tudo”. O outro entrevistado é o Djalma Ferraz de Almeida Campos, nascido em 1889. O velho santo-angelense foi tenente do Exército e apaixonado pelo Grêmio Sportivo, o alvi-verde da Baixada. Djalma preparava livro com o título de “Santo Ângelo, um Bosquejo da História”, que, infelizmente, não saiu do planejamento. Como também sentimos falta das reminiscências de Ulysses Rodrigues, Augusto César Pereira dos Santos, Amado Grisólia…

A cronista social da época era a Carmem Teixeira, dona da coluna Top Set. A Carmem participou de chá na residência do Coronel Pontual, em que a dona Ailsa apresentou a esposa do General Confúcio às damas santo-angelenses. Marisa Ribas (esposa do Leônidas), Jane Oliveira (esposa do José Alcebíades) e Zaida Erpen (esposa do Juiz Décio Erpen) estavam no chá. A Carmem também contava o nascimento do Marcelo, filho do Nei Debacco e da Suzana Brandão Debacco. A entrevistada da semana era a Nélia Nascimento Ferreira, filha do Coronel João Narciso Pinheiro Ferreira, paraense que casou com uma das filhas da dona Zeni Nascimento. Para sermos verdadeiramente felizes a receita da Nélia foi a seguinte: da constante e essencial paz interior.

A FRASE DO CHICO XAVIER – destacada por Maria Dolores Steffens Tosatto – Gente há que desencarna imaginando que as portas do Mundo Espiritual irão se lhes escancarar… Ledo engano! Ninguém quer saber o que fomos, o que possuíamos, que cargo ocupávamos no mundo; o que conta é a luz que cada um já tenha conseguido fazer brilhar em si mesmo.