Caridade discreta

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Sabemos que os desencarnados podem influir em nossos pensamentos e até mesmo em nossas ações. Depende da sintonia que tenhamos com eles. Há outros casos, mais diretos, em que o desencarnado pede determinada ajuda para si ou para familiares, através de um médium. É o que aconteceu com um morador de São Miguel das Missões, antigo proprietário de terras na divisa com o Mato Grande, pelo lajeado. Francisco Boaventura Braga, protagonista da coluna de hoje, esteve em trabalho espírita possivelmente na casa do Agenor Marciano, o Piaco, lá no histórico município, isso em décadas distantes. Então recebeu de amigo desencarnado pedido de socorro financeiro para os familiares dele que passavam dificuldades.

Maria Beatriz Braga, filha de Francisco, morou muitos anos em Santo Ângelo, trabalhou no Banco do Brasil, casou, separou e hoje vive na Capital do Estado. Em recente passeio por aqui, adquiriu meu livro de crônicas, leu, gostou e se animou para também contar o episódio mediúnico conhecido de sua família e a própria experiência pessoal. Por e-mail, a Maria Beatriz não receia em se expor ao público e contar as suas verdades:

– Mergulhei numa viagem ao passado, alguns nomes mencionados no teu livro fizeram parte da minha infância, relembrei pessoas, conheci histórias, enfim, adorei o teu livro. A leitura mexeu com algo muito íntimo que é a saudade que tenho do meu pai desencarnado em 1986. Ele veio a mim por duas vezes, uma quando estava no processo doloroso de separação e ele veio me consolar, dizendo que tudo ia dar certo. Que ele estava ao meu lado (aquilo foi essencial no momento). A outra vez em que ele se manifestou para mim foi em 2009.
Eu estava acordada, sozinha, quando meu pai chegou acompanhado de dois tios queridos, irmãos dele. Ele veio me falar a respeito de um encontro familiar que eu estava organizando pela primeira vez. Ele disse que eu não tinha ideia das bênçãos que o encontro traria para a família.

Depois, a missivista relata o verdadeiro SOS que veio do plano espiritual para o pai dela:

– Fiquei sabendo do episódio depois do falecimento do meu pai. Segundo a minha mãe, o fato aconteceu no final da década de 1940, meus pais ainda eram noivos. Certo dia, meu pai pediu para minha mãe levar determinada quantia de dinheiro para senhora viúva de um amigo dele. Com filhos pequenos para criar, a viúva passava por dificuldades financeiras. Minha mãe deveria dizer que o dinheiro, boa importância, era proveniente da venda de objetos que pertenceram ao falecido. O embrulho de dinheiro foi entregue, surpreendendo a viúva, que não se conteve:

– Da onde o Chico tirou a venda desses objetos? Não ficou nada pra vender!
Anos depois, a mãe da Beatriz entendeu a doação para a viúva pobre. O veemente apelo feito pelo desencarnado em trabalho mediúnico tinha sensibilizado o seu Chico, daí o socorro alcançado. E a Maria Beatriz finaliza a narrativa com palavras que encontram ressonância no ensinamento do Mestre dos Mestres:

– Fazer caridade sem vangloriar-se, foi a grande lição que meu pai me deixou.

A FRASE DO CHICO XAVIER – destacada por Araquem Albuquerque de Deus – A gente pensa que está em Londres, Paris, Milão. A gente pensa que está dentro de uma mansão. Mas na verdade a gente está dentro de um corpo, e se nós não estivermos bem com nosso íntimo, estaremos mal em qualquer lugar.