Cenas da vida santo-angelense

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Há algum tempo, senhora com mais de setenta anos, viúva, compareceu ao meu escritório e foi logo contando que estava de namoro com cidadão pouco mais moço do que ela. Na intenção de legalizar o namoro, a dona Maria queria algum documento, até pra evitar o falatório de vizinhos fofoqueiros.

Hoje em dia, a lua de mel começa antes do casamento.  A dona Maria é proprietária de imóveis e indaguei da situação financeira do namorado e a resposta veio logo:

– Ele está desempregado, não é aposentado, mas disse que é cabeleireiro. Vou alugar uma sala pra ele trabalhar. Estamos nos dando muito bem, cada um na sua casa, mas queremos juntar os trapinhos…

Menos profissionalmente e mais intuído pelo bom senso, que sempre é ótima solução jurídica, ponderei para a cliente:

– Dona Maria, a vivência em comum sob o mesmo teto vai dizer a validade do relacionamento de vocês, como de todos os casais. Antes disso, tudo é festa. Sugiro que depois de seis meses de juntar as escovas dentais no mesmo banheiro, a senhora volte aqui para a pretendida legalização. Aí não haverá erro.

Desconfiei que a dona Maria não iria acatar a minha orientação,  notei que saiu meio emburrada do escritório. E não deu outra. Realmente, três meses depois, a dona Maria estava sentada novamente na minha frente, agora com aspecto melancólico, e admitiu o erro cometido, o fracasso da vivência sob o mesmo teto:

– Não segui o seu conselho e mandei fazer um documento de união estável. Já estamos separados, agora quero desmanchar o que fiz, só tem uma coisa: ele quer “indenização” de dez mil reais…

Alguém falou que o coração tem razões que a própria razão desconhece. Daiana Franco Nogueira me conta caso parecido e comenta:

– É inacreditável a sem-vergonhice sem limites de certas pessoas.

A conhecida da Daiana também se apaixonou, pela pessoa errada. Aliás, nada incomum nos namoros.  Qual a profissão dele? Ainda estava em curso superior, mas com a matrícula trancada, por falta de recursos financeiros, dificuldades da vida, etc e tal… Sem problema, a namorada assumiu o compromisso e mês por mês dava nas mãos dele a quantia necessária. Lá pelas tantas, a apaixonada teve lampejos de razão e descobriu a triste realidade:

– Ele embolsava o dinheiro dela, mas não pagava a faculdade. Vivia numa boa, às custas dela, sem trabalhar e sem estudar.. Na hora de desfazer o relacionamento incômodo, surpresa desagradável para a namorada: ele queria vinte mil reais para assinar qualquer documento. Dizia que era uma indenização de que ele não poderia desistir.

Cenas assim acontecem em Santo Ângelo, como em qualquer outra cidade, e valem como advertência para homens e mulheres. Quem puder escapar de ciladas assim, que escape logo. Barbas de molho, como canja de galinha, não fazem mal a ninguém.

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