Cheiro e agouro de morte

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 A coluna da semana passada provocou manifestações de vários leitores. Michéli Carvalho Pacheco é funcionária do INSS há vários anos, com desempenho cordial e eficiente aos que a procuram no setor. É bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. Trabalhou na agência previdenciária local e agora está em Santa Rosa. O e-mail da Michéli confirma que pessoas há capazes de sentir o cheiro característico da morte, no que se apóia na informação de médico, certamente de Santa Rosa. Tais pessoas possuem sensibilidade mais apurada ou potencial mediúnico. Eis o que diz a mensagem eletrônica da leitora:

– Há uns meses um médico me comentou exatamente o que está escrito em sua coluna. Disse que ao realizar as perícias médicas no INSS sentia o cheiro da morte característico em certas pessoas. Mencionou que ao longo dos anos de profissão aprendeu a identificar o cheiro, mais intenso em doentes terminais. Achei interessante o relato pela forma de manifestação da morte. Eu, embora há anos atenda o público, confesso que nunca identifiquei algo. Talvez sentir o cheiro seja algo peculiar a algumas pessoas. Talvez eu que não saiba ainda identificá-lo. Abraços, bom fim de ano e um feliz 2012!

O leitor Mário Brasil Antunes Gomes, por sua vez, fala em animais agourentos. Lembra pessoas antigas que acreditavam que a coruja é agourenta, pressagiando a morte. Se passava por cima de uma casa poderia estar anunciando a morte de alguma pessoa moradora naquela casa. Para alguns, a coruja deveria passar por três vezes. Então os moradores ficavam fazendo “pé de figa” ou espantando as corujas para bem longe. O folclore gaúcho está repleto de causos envolvendo as corujas tidas como agourentas. O leitor Sérgio Grzywinski, depois de ter lido a coluna anterior, não quer mais saber de gatos em sua casa. Precavido, teme que o gato vá dormir justamente no seu lado na cama…

O pai do Mário, Darvin Gomes, morava por último na rua Marquês do Herval, esquina com 7 de Setembro, onde hoje existe uma relojoaria.Antes disso, meus pais e a família dele foram vizinhos na Marechal Floriano, junto à atual lotérica. Darvin trabalhou na repressão ao contrabando de pneus e se aposentou como fiscal da carteira agrícola do Banco do Brasil. Teve um mandato de presidente do Elite Clube Desportivo, na década de 40, clube que muita gente gostaria de vê-lo de volta. Mário acrescenta um episódio desconhecido para mim:

– Coincidência ou não, poucos dias antes do meu pai falecer, observei duas corujas voarem por cima de nossa casa. Na última vez, aconteceu durante uma das tardes em que ele costumava sentar embaixo de um cinamomo, que existia quase na esquina da Marquês com a 7. Alheio a tudo, lá estava ele sorvendo o seu indispensável chimarrão e cumprimentando os amigos que passavam pela rua. Eram férias escolares. Meus irmãos (Mauro, Manoel, Darvin Filho e Mauri), em grande euforia, se dirigiram para a fazenda Jacarandá, em Santo Antônio das Missões. Por alguma razão, perdi a empolgação da viagem. Fiquei para amparar o meu pai, morto em razão de inesperado enfarte.

A FRASE DO CHICO XAVIER – Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.