Churrascaria Minuano

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Ivo Leão Werlang, filho do viajante comercial Leopoldo Werlang e de Olivia, morava na Rua Tiradentes e estudava no Colégio Marista. Ao concluir o ginásio, como se chamava na época, decidiu ingressar na Força Aérea Brasileira (FAB), sonho realizado em tempo normal. No dia 11 de julho de 1959, acompanhado do colega Gilberto Castro, Ivo tripulou um avião até Santo Ângelo, para conhecer o filho aqui nascido há poucos dias. Lamentavelmente, o piloto não conheceu o herdeiro, hoje cidadão de 61 anos, residente no Rio de Janeiro. Porque justamente no dia 11 de julho de 1959 ocorreu tragédia aérea em ponto central da cidade, exatamente no cruzamento das Ruas Marechal Floriano e Duque de Caxias, a poucos metros do Posto Flach e bem perto da residência dos pais do Ivo. Imagina-se o tamanho do desastre se o posto de gasolina tivesse sido atingido.

Não se sabe exatamente o que determinou a queda do avião da Força Aérea, mas então se falava que, devido voar a baixa altura, o avião teria se enroscado em fios da iluminação pública. Os pilotos Ivo e Gilberto morreram na hora, carbonizados. O ex-vereador Harry Streppel, que trabalhava na Agência Ford, não viu o acidente, mas chegou logo depois e até hoje não esquece o quadro apavorante que presenciou. A Agência Ford, a Fábrica de Balas Zimmermann e o armazém de Oswaldo Kegler ocupavam as esquinas em volta ao acontecido. Quem viu a tragédia? Fernando José Castro Drummond estava na sacada do apartamento em que morava no Edifício Victória, ao lado do Cisne, e presenciou a queda seguida de estrondo ouvido em toda a cidade. Acrescenta o Fernando:

– Depois fui levado pelo meu pai (Sargento Drummond) ao velório dos tripulantes na capelinha do Hospital Militar. Foi muito triste.

O Sargento Labieno Raimundo Deves traz seu depoimento sobre talvez a única e última tragédia aérea ocorrida nesta cidade missioneira. Conta o Labieno:

– Eu estive no local e acompanhei o trabalho dos bombeiros na retirada dos corpos carbonizados, posteriormente levados ao necrotério do antigo Hospital Militar.

O também Sargento na época Araquem Albuquerque de Deus relata, por via eletrônica, que chegou ao local poucos minutos depois do acidente. Diz o amigo Araquem, meu colega de aula e do Harry Streppel no Colégio Marista:

– Tirei guarda e não esqueci até do cheiro que exalava no local do impacto.

Beatriz, irmã do Ivo, reside no Rio de Janeiro há muitos anos e aqui mora apenas uma parente, prima, que é a esposa do professor de Educação Física Arnoni Schmidt. Tudo indica que a perícia do piloto Ivo Leão Werlang evitou a queda do aparelho em cima da bomba de gasolina do Posto Flach e reduziu o tamanho da tragédia. Certamente, ele e o colega Gilberto Castro foram de imediato socorridos no Plano Espiritual.

 

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