Coisas estranhas

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Eduíno Gölzer viveu muitas décadas no então distrito do Entre-Ijuís. Homem simples, de instrução primária, recebia muitas pessoas em sua residência, todas em busca de remédios para a cura de enfermidades. Ouvi muitos relatos favoráveis sobre a intervenção do seu Eduíno. Estive em sua casa e com ele mantive boa amizade. No tempo certo, Eduíno voltou para a vida espiritual e nenhum dos vários filhos herdou a faculdade mediúnica de que era portador. O Vilson até que tentou, mas desistiu. Faculdade mediúnica não passa de pai para filho. Uma das tantas netas do médium de cura do Entre-Ijuís, que não conhecia pessoalmente, agora me encaminha depoimento sobre coisas estranhas que ocorrem na casa dela e com ela mesma:

– Sempre tive curiosidade sobre os espíritos e sempre notei presenças e ruídos dentro de casa desde minha juventude, mas nunca dei muita importância. Quando estive grávida do meu filho agora com três anos, caí em depressão e procurei tratamento com psiquiatra desta cidade. Ele me aconselhou a ir a uma casa espírita. Durante a gravidez eu não saía de casa, não podia ver pessoas e sabia de alguma forma que o filho tinha problema de saúde. Ninguém me levava a sério, fiz vários ultrassons e o pediatra discordava de mim. Mesmo assim nunca fiquei tranquila, o filho nasceu com oito meses e foi um período muito difícil pra mim. E, realmente, nasceu com grave problema de saúde, obrigando um transplante de medula óssea. Eu escutava vozes, tinha pesadelos com meu avô Eduíno, via muitos vultos, eletrodomésticos que se fechavam quando eu estava usando, xícara de café virando na minha mão. Às vezes, sentia alguém me tocando e quando sonhava com alguém, eu via a pessoa no outro dia. Em nossa casa, situada no interior do município de Santo Ângelo, tem acontecido coisas estranhas. Mais constantes, ultimamente. Num dia, o fogão a gás produziu o ruído elétrico sozinho, sem minha intervenção. Em outro dia, no amanhecer, o carrinho de controle remoto do menino ligou sozinho várias vezes e acelerou, para que eu visse o fenômeno fora do meu alcance. Há poucos dias, outro fato inquietante: a porta do meu quarto se fechou de repente e não havia corrente de ar.

A neta do Eduíno começou a comparecer a uma casa espírita da cidade. Encontrou paz e compreensão ao quadro mediúnico que apresenta. Aguardemos o passar do tempo. Dotada de livre-arbítrio como todos nós, ela educará a mediunidade ou desistirá do compromisso assumido antes de renascer no ambiente terreno. Quem sabe está nascendo a continuadora do trabalho abnegado de Eduíno Gölzer em favor dos necessitados de remédios para o corpo físico e para o corpo espiritual. Só Deus sabe.

A FRASE DO CHICO XAVIER – destacada por Mari Winckler – Só existe algo mais marcante do que perder um filho: é descobrir que ele continua vivo.