Dona Anita

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Ninguém sabe dizer o sobrenome dela, moradora em Ijuí por muitas décadas. Era conhecida por dona Anita e nada mais. Falava um misto de alemão e português, carregando nos erres. Amiga dos irmãos Defensor Antunes dos Santos e Dalcin Antunes dos Santos, da colega Jocelí Gomes Oliveira, a dona Anita ostentava acentuada mediunidade, especialmente da vidência, a capacidade de enxergar os desencarnados. O amigo Luiz Nicola Vieira também consultou a sensitiva e para ele as previsões dela ocorreram com precisão. O depoimento que o Nicola me traz convence qualquer um sobre a faculdade mediúnica da dona Anita, que eu não tive o prazer de conhecer:

– Em princípios de 1964, eu integrava o efetivo do 17º Regimento de Infantaria, de Cruz Alta. Um colega de farda vivia problemas de relacionamento, desconhecidos para mim, com a namorada residente em Bento Gonçalves. Certo dia, ele me pediu para acompanhá-lo numa consulta com a dona Anita. Numa manhã de sábado, partimos para Ijuí. Pouco antes da viagem o colega recebeu carta da namorada, colocou no bolso sem ler e pegamos o ônibus. Por uns trinta minutos o colega conversou com a dona Anita. A entrevista era direta, olho no olho, usando apenas uma bola branca enorme, que era colocada na palma da mão do consulente. Apesar dos anos que se passaram, lembro a essência das previsões da dona Anita para o colega: “sargento, não haverá noivado nem casamento com essa moça. Ela vai se casar, sim, mas com outro homem. Outra coisa: vejo militares nas ruas, fardados e armados. O presidente será deposto em breve e assumirá um militar de alto posto. Tu serás transferido para longe e nunca mais voltarás para Cruz Alta. Viverás em vários lugares do Brasil como militar, e depois como civil, pois não terminarás teu tempo no Exército. Não há como evitar isso. Teu casamento será com uma moça branca, jovem, de outra cidade, que nem conheces hoje. Casarás com meia idade, muito longe daqui e terás dois filhos. Tua vida correrá inúmeros perigos, mas te vejo vivendo e usando bengala, ou seja, tu serás um velho. Confia a Deus o teu futuro”. Ao sair da consulta, o amigo sargento suspeitou que eu tivesse contado a vida dele para a dona Anita. “Não é possível ela saber o que sabe sobre mim”. Então o amigo abriu e leu a carta da namorada, quando constatou a veracidade das informações dadas pela vidente.

Por outro lado, as previsões da médium ijuiense sobre os acontecimentos de 1964 no Brasil também foram confirmadas na totalidade. A propósito, o Nicola dá seu depoimento:

– Quanto a mim, informo que no dia 31 de março de 1964 fui chamado à noite, ao Quartel. No dia seguinte, a cidade de Cruz Alta amanheceu tomada pelos militares fardados e armados, como previra a dona Anita. No dia seguinte, fui transferido para Pelotas. Minha carreira militar foi interrompida abruptamente em 1974. Anos mais tarde, em outra visita a Ijuí, intrigado com a exatidão das previsões, indaguei a dona Anita como ela “via” os acontecimentos atuais e futuros dos consulentes. Então ela me respondeu assim: “quando inicio a consulta chacoalho o rosário, com um crucifixo, e faça pequena oração. Imediatamente observo e interpreto um pequeno filme que passa acima da cabeça do consulente. Quando há erros nas previsões, são sempre erros meus, falhas na minha interpretação”.

Ela não era espírita, seguidora da doutrina codificada por Allan Kardec, mas dotada de mediunidade realmente fantástica. A mediunidade não é privilégio dos espíritas. Aceitaria mais depoimentos sobre essa senhora de origem germânica, dona Anita, que segundo o Nicola, era detentora de um raro dom de mediunidade ou vidência.

A FRASE DO CHICO XAVIER – destacada por Simone Maciel – Lembra-te de que falando ou silenciando, sempre é possível fazer algum bem.