E ele foi tomar banho…

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José Alfredo Callegaro trabalhou durante várias décadas como representante comercial, muito ligado então ao comerciante Henrique Weinert, proprietário de armazém na Rua Marechal Floriano, esquina com Rua Duque de Caxias. Casou com Margarida e vieram três filhos, todos residentes neste torrão missioneiro. Católico a vida inteira, o Callegaro, hoje com mais de oitenta anos de idade, com perfeita sanidade mental, ao meu juízo, é claro, me conta lances diferentes que o deixam intrigado, eis que jamais foi dado a práticas mediúnicas:

– À noite, quando vou para a cama dormir e apago a luz, em seguida aparecem crianças e se acomodam perto de mim. Acendo a luz e não vejo ninguém, o que tem acontecido seguidamente. Mas, em certa madrugada, não sei dizer se era em sonho, eu saí de casa e fui caminhando até a Avenida Brasil. Ao chegar na avenida eu me encontrei com o amigo

Ernesto Grás, igualzinho como era quando pouco mais moço e morava em nossa cidade. Conversamos bastante e ao se despedir, o Dom Ernesto, como muitos o chamavam, me recomendou:

– Alfredo, agora vá para casa e tome um banho.

A recomendação foi atendida prontamente às quatro horas da madrugada! A Margarida acordou com barulho de chuveiro, não entendeu nada e foi ver o que estava acontecendo em horário tão impróprio para banho. Embaixo do chuveiro, em madrugada fria, o Callegaro, ainda ensaboado, respondeu para a espantada esposa:

– O Dom Ernesto mandou que eu tomasse banho…

Embora seja nome de rua na cidade, as novas gerações nada sabem sobre Ernesto Grás, um cidadão nascido em Luxemburgo e desencarnado na Capital das Missões. Ele e o irmão Carlos, que se aposentaram como servidores municipais, deixaram a terra natal em plena juventude e vieram morar na Argentina. Poucos anos depois se transferiram para Rio Branco, atual Catuípe, e depois ficaram por aqui. Ernesto chegou a ser Delegado de Polícia na terra das águas claras. O sotaque castelhano o acompanhou até o fim dos seus oitenta e oito anos terrenos.

Ernesto e sua esposa Clara (pais de Josefina, Alberto, Amantino e Geolar) foram vizinhos e amigos dos meus pais. Sei que Ernesto Grás foi trabalhador dedicado na Loja Maçônica Renascença IV, alguém sempre pronto a auxiliar nas atividades da Sublime Instituição, especialmente quando funcionava no casarão do Geruntho, prédio na esquina da Barão de Santo Ângelo com Antunes Ribas. Ele também gostava muito da atividade político-partidária, inicialmente ligado ao Coronel Bráulio Oliveira, intendente do município por dezesseis anos, e mais tarde ao deputado Augusto Nascimento e Silva, também venerável-mestre da Renascença. Era o tempo áureo do extinto Partido Social Democrático.

A FRASE DO CHICO XAVIER, postada na rede social por Brígida Fiorin: – Em qualquer dificuldade, não nos esqueçamos da oração. Elevemos o pensamento a Deus, procurando sintonia com os espíritos bons.