Ela adorava ir ao cemitério

0
107

A santo-angelense Carla Viviane Ritter, analista de Correio, manda me dizer de Brasília, onde ora reside, que adorava ir junto com a avó Helena Machado Flores ao cemitério Sagrada Família, desta cidade. Na época, a Carla era pequena e a avó Helena e a tia Floriza residiam num apartamento da Rua Antunes Ribas, no edifício do senhor Frederico Feuerharmel, o seu Fritz, como era conhecido na cidade. Um dos filhos dele, o Walter, foi proprietário de uma peixaria no mesmo prédio, bem na esquina da Antunes com a Rua Duque de Caxias. Ali, informa a remetente, também moravam os parentes Lauro Alves Machado (tio Branco) e a tia Alice.

Há pessoas que gostam de comparecer regularmente a um cemitério, hábito que, decididamente, não é dos melhores e nem recomendável, como exposto na coluna anterior. Assinala a Carla:

– Minha avó, mãe do meu pai Flávio (conhecido como Fito no futebol de salão de Santo Ângelo) tinha o costume de ir dia sim, dia não, ao cemitério da Sagrada Família, onde estão sepultados o meu avô Acioly Machado Flores e o meu tio Flory Machado Flores, para levar flores, ajeitar alguma coisa e passar uma vassoura nos túmulos. Enquanto cumpria essas tarefas, para ela muito agradáveis, costumava cantarolar e ainda rezar pelos entes queridos ali sepultados. Eu, bem pequena, adorava ir junto com ela. Para mim e para meu irmão aquilo era um passeio. Íamos a pé pela Rua Antunes Ribas em direção ao cemitério, a minha vó Helena carregando uma sombrinha para se livrar do sol quente, levando flores e folhagens cultivadas na grande sacada do apartamento. O bom disso tudo é que não havia choradeira. Nunca vi minha avó chorar, ou se revoltar, naqueles momentos, ante a desencarnação dos familiares. Pelo contrário, ela sempre lembrava os bons e alegres momentos da família, expressando muito amor e gratidão aos desencarnados. Brincar no cemitério me trouxe desde a tenra infância um sentimento de que é um local como qualquer outro e que, em verdade, os túmulos estão vazios. Há que se ter muito respeito nas lembranças dos antepassados e cultuar a gratidão pelos que nos deixaram. Penso que nossa atitude no cemitério vai direcionar as impressões aos que estão no outro lado da vida. Tenho certeza que meu avô e meu tio não se perturbavam de nos ver por lá, pois nós não transmitíamos sofrimento a eles. Hoje os despojos da minha amada vó Helena estão depositados na mesma capela. Sei que seu espírito está muito alto plantando lindos jardins com muitas roseiras e com muitos gatos e cachorros ao seu redor, tudo como ela tanto gostava.

A FRASE DE CHICO XAVIER – destacada pela santo-angelense Sandra Machado, residente em Florianópolis – Devemos efetuar campanhas de silêncio contra as chamadas fofocas, cultivando orações e pensamentos caridosos e otimistas, em favor da nossa missão e da nossa paz.

PRA CABECEIRA DA CAMA – Digno do meu reconhecimento o apoio dado pelo amigo tabelião Adão Lago Pinto, ao adquirir dez exemplares do meu recente livro de crônicas. Aliás, o Adão está em tratativas com a Editora Record, de São Paulo, para lançamento de um livro de contos, que será o primeiro de sua produção literária.