Eles querem preces e nada mais

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Há algum tempo, cartas psicografadas pelo Chico Xavier foram utilizadas por advogados de defesa de réus denunciados por homicídio e levados ao Tribunal do Júri. Em Goiás, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Ditas cartas foram decisivas para a absolvição dos acusados, eis que as vítimas deram a versão exata dos acontecimentos, com detalhes não trazidos aos autos processuais. Recente pesquisa da Universidade Federal de Juiz de Fora, em convênio com a Universidade de São Paulo, reconheceu validade na faculdade psicográfica do médium mineiro. Agora, outras cartas psicografadas por médiuns mineiros trazem depoimentos de sete jovens desencarnados na boate Kiss, de Santa Maria.

Graças à gentileza da colega Iara Muniz Pelizzaro de Araújo, acabei de ler “Nossa Nova Caminhada”, livro que reúne tais cartas recebidas em Uberaba, com a presença dos pais dos jovens que para lá se deslocaram em duas oportunidades e da jornalista Lidiana Betega, de Cachoeira do Sul. Detalhe significativo das mensagens é que todos os jovens não acusam ninguém pela tragédia. Não pedem vingança. Não querem que os pais participem de protestos. Leonardo Schopf Vendruscolo escreve pelo lápis do médium Alaor Borges:

– O acontecimento de Santa Maria foi um acidente, uma fatalidade mesmo, e agora, a esta altura dos acontecimentos, falatórios não resolvem. Acredito mesmo que a mídia já explorou o assunto o quanto pôde. Agora é hora de nos unirmos em preces e, se pudermos, todos quantos tenham movido processos, que reconsideremos as nossas queixas, lembrando que esses irmãos também estão com os corações partidos, tanto quanto nós mesmos.

Com o mesmo posicionamento, Guilherme Pontes Gonçalves depôs, psicografado pelo respeitado médium Carlos Baccelli:

– Realmente ninguém deve ser considerado culpado pelo que nos sucedeu. Que o episódio naquela casa de espetáculos em Santa Maria simplesmente nos sirva de advertência para que sejamos mais cuidadosos. Pai e mãe, estimaria vê-los distantes de quaisquer protestos que não me trarão de volta. Vamos lembrar que os responsáveis também têm famílias e não tiveram qualquer intenção quanto à tragédia acontecida. Pensemos no fato como uma fatalidade.

A Stefani Posser Simeoni não alimenta nenhum rancor no outro lado da vida e pelo mesmo médium Bacceli revela sua generosa disposição de alma:

– Quase todos, mãezinha, ficamos felizes com a decisão da Justiça em liberar os nossos irmãos, que, evidentemente, não poderiam ser responsabilizados por aquela fatalidade. Estávamos nos divertindo e ninguém ali imaginava que pavoroso incêndio de repente começasse a lavrar, a partir de um ingênuo artefato que tudo desencadeou.

Para os jovens desencarnados, o que sucedeu na boate Kiss foi mesmo uma fatalidade, decorrência de leis maiores do Universo. Enfático o depoimento da jovem Daniela Betega Ahmad:

– Foi uma fatalidade o que nos ocorreu. Acredite que eu estava no lugar certo e na hora devida. Houve o cumprimento da Lei de Causa e Efeito. Estamos precisando de muitas orações.

Em suma: todos os desencarnados naquele 27 de janeiro só querem preces e nada mais.