Exige-se datilografia

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Em décadas passadas quando ninguém sonhava com a era digital, as máquinas de escrever eram indispensáveis em todos os escritórios e os bons datilógrafos, que não eram muitos, conseguiam emprego, facilmente. Empresas de todos os portes publicavam anúncios em jornais oferecendo empregos, mas com advertência aos candidatos: exige-se datilografia. Em Santo Ângelo, centenas de jovens aprenderam a bater nas teclas das máquinas Remington, Royal, Olimpia e outras marcas, com o Professor Fernando Krüger e esposa Lia Krüger e no Curso de Alvino Max Kegler e Isabel Amadeu Kegler, ambos na Rua Antunes Ribas. Em concursos para todas as finalidades, o candidato precisava cumprir um número mínimo de batidas e sem erros, sem rebatidas. Muita gente perdeu emprego por não ter agilidade nos dedos.

Ao contrário do Professor Krüger, que apresentava a Hora Alemã, diariamente, na Rádio Santo Ângelo, e também tocava órgão nos cultos da Igreja Luterana, o Alvino Max Kegler tinha dedicação exclusiva à escola de datilografia. E inclusive fornecia diploma de conclusão do curso, um item importante no currículo de candidatos no serviço público. Harry Furstenau, aposentado do Banco do Brasil, guarda com carinho o diploma conquistado depois de muitas horas de pancadas nas máquinas datilográficas. O aprendizado, é claro, foi importante para ele na carreira bancária. Outro que guarda o diploma é o inativo do Exército Ari Edegar Hruschka. O diploma dele foi expedido em 1970. O amigo José Bonini da Silva aprendeu datilografia com o Alvino em 1964 e, no mês de setembro, foi admitido no Cartório do Registro Civil, onde trabalhou com José Beck Machado e Reinaldo Welfer.

Liane Günther, hoje Liane Suljic, morava na frente da escola do Alvino e aproveitou para aprender datilografia e, ao mesmo tempo, dançar ballet com a Professora Ilona Christensen. Há mais de cinquenta anos, a Liane tomou decisão corajosa: sozinha foi morar na Alemanha. Lá conseguiu o primeiro emprego no Consulado de Portugal, depois de superar dura prova de datilografia, com máquina elétrica. A máquina elétrica tornou mais ameno o trabalho dos datilógrafos. O chargista Augusto Bier, então com 12 anos, mais “gazeava” as aulas de datilografia e não aprendeu quase nada. Ocorre que, na frente do curso do Alvino, morava o dentista Francisco Juska. Um filho dele, depois conhecido como chargista Juska, e o Bier passavam todas as tardes desenhando as primeiras charges…

Alvino Max Kegler deixou o mundo físico num acidente de trânsito próximo à cidade de Ijuí, numa véspera de Ano Novo. O amigo Roberto Fratton estava na escola bem na época e recorda essa tragédia, em que a Professora Isabel também voltou para a Vida Espiritual. De minha parte, aprendi a datilografar numa velha máquina Ericsen, do Colégio Marista, sem pagar nada, graças à amizade com Irmão Marista que foi meu professor. Adquiri agilidade nos dedos e muitas vezes conseguia redigir jornal falado poucos minutos antes do horário de entrar no ar. Hoje, quem não souber digitar, está ralado…

 

A LIÇÃO DO CHICO XAVIER:
“Tudo o que estiver
sobrando em
nossa casa
está fazendo falta
em algum lugar.”

 

 

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