Fantasma no Palácio Piratini?

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A literatura mundial é farta em histórias envolvendo fantasmas. A Inglaterra, particularmente, tem especial apreço pelos chamados fantasmas, atração permanente de castelos seculares. Turistas ávidos por emoções diferentes pagam ingressos para tentar ver ou escutar algo dos trevosos. Por aqui, contos gauchescos também envolvem os seres de outro mundo, que teriam preferência pelo meio rural. Mas os ditos fantasmas nada mais são do que espíritos que vivem na erraticidade, não obstante tantos anos depois do ato desencarnatório. Na última experiência terrena, tais espíritos viveram mergulhados nas sensações da matéria, especialmente apegados às delícias do poder ou obsedados no acúmulo de bens imóveis. Mesmo desencarnados, disso não se apercebem e buscam desesperadamente os tesouros terrenos, que não são mais seus.

Em Porto Alegre, são comuns os comentários sobre a aparição de espíritos nas madrugadas do Palácio Piratini e por isso houve governadores que preferiram continuar morando no seu apartamento próprio. E há vigilantes do Theatro São Pedro que garantem ter visto pianista desencarnada executando músicas de Mozart em quase todas as madrugadas, para uma plateia vazia de encarnados. A dona Eva Sopher deve ter algo a contar. Há poucos dias, a jornalista Juliana Bublitz publicou excelente entrevista na Zero Hora com o chefe do cerimonial do Palácio Piratini, Aristides Germani Filho, no cargo há trinta anos. Embora as evidentes qualidades de cerimonialista, o Aristides é um diplomata de nascença. Ele teria lugar garantido no Itamarati.

Uma das tantas perguntas da arguta jornalista ao Aristides tratou exatamente de fantasmas no Palácio Piratini, que muitas pessoas juram ter visto por lá. Mas a conceituada Juliana preferiu usar o vocábulo fantasma ao invés de espírito. E indagou se o Aristides alguma vez viu o fantasma de Antônio Augusto Borges de Medeiros, que governou o Rio Grande do Sul por muitos anos, passeando despreocupado pelo Piratini, como se ainda fosse o governador. O Aristides, que garante ser cego, surdo e mudo no desempenho de suas funções, não viu nada, até porque, prudentemente, nunca dormiu por lá. Não gostei da palavra fantasma e me comuniquei pela via eletrônica com a jornalista de Porto Alegre.

Menos de dez minutos depois, Juliana Bublitz mandou resposta, atenciosa e educadamente. Humildade, deu pra ver, é um traço da personalidade da jornalista da Zero Hora, que costuma divulgar excelentes entrevistas. Eis o que ela me respondeu: “Prezado Oscar. Muito obrigada pelo e-mail. Fico muito feliz que tenha lido e gostado da entrevista. Aprendi muito com o senhor Aristides Germani Filho. O senhor tem razão quanto a sua crítica. Espírito seria a palavra mais adequada. Falha minha. Mais uma vez, obrigada pela atenção! Abraços”. À medida que a sobrevivência do espírito ganha mais espaço na mídia mundial a palavra fantasma vai sendo remetida para o passado, para a ficção. Espírito é a palavra certa, mais de acordo com as revelações convincentes das últimas décadas. Afinal de contas, todos nós somos dotados de dois corpos: físico e espiritual.

A PALAVRA DO CHICO XAVIER – destacada por Janaína Reis – Quem mais ama é quem se aproxima de sua natureza divina. O dia em que o homem começar a amar ao próximo como a si mesmo, a Terra, como por encanto se transformará.