“Hoje, eu acredito”

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Mônica é nascida e criada em Santo Ângelo e não há espíritas na família. Todos pertencem a uma religião evangélica tradicional, há muitas gerações. Encerrado o ensino médio, ela foi estudar na Capital do Estado, onde concluiu curso superior e cumpriu a sua opção profissional. Lá, casou e no verão passado ficou viúva. O pai deixou o mundo físico há três ou quatro anos. Ela e o esposo desencarnado nunca acreditaram na continuação da vida após a sepultura. Mas a vida sabe o que faz, como diz a médium Zíbia Gasparetto. Por e-mail, Mônica conta que uma grande amiga, residente em Porto Alegre, consultou uma “cartomante” e ficou impressionada com as informações recebidas, muito além do que se espera de uma cartomante de ofício. O relato da amiga foi, sem dúvida, a primeira senha para que a remetente também fosse lá no bairro Cavalhada.

A segunda senha, a Mônica encontrou no meu livro de crônicas, como compartilha a sua inesquecível experiência:

– Tenho que lhe contar que talvez um mês atrás, estive em Santo Ângelo e a mãe me emprestou o teu livro de crônicas. Qual não foi minha surpresa, quando quase no final do livro você falou na Sônia, com endereço e tudo. Era a mesma pessoa comentada pela minha amiga. Isso não é um sinal? Hoje fui vê-la, e fiquei realmente muito emocionada, pois ela me falou tantas coisas desconhecidas para ela, que eu, realmente, tive certeza que meu marido e meu pai estavam ali comigo. Foi muito emocionante. Eu só falei meu nome, nada mais. Então ela pegou minha mão direita e como que começou a balbuciar palavras, trazendo notícias confortadoras. Eu e meu marido sempre fomos bastante céticos em relação a essa vida depois da morte, não acreditando mas querendo muito acreditar. Hoje posso te dizer que ACREDITO, pois tudo que ela me falou, aconteceu. Por isso tudo, você foi a primeira pessoa que eu estou contando o resultado da consulta com a médium.

Por outro lado, a cobrança da consulta, quase cem reais, provocou uma pergunta da Mônica:

– A única coisa que me causou estranheza foi o fato dela cobrar a consulta. Eu sempre ouvi dizer que os médiuns em geral fazem isso de graça.
Respondi a ela:

– Os médiuns espíritas de fato não cobram nada por trabalhos prestados, tudo é de graça. Nas casas espíritas, ninguém ganha salário, nenhum tipo de gratificação financeira. O médium espírita sabe que ajudando os outros, ajuda a si mesmo. Lá também não há cobrança de dízimo. Jesus nunca pediu dinheiro pra ninguém, nem instalações luxuosas para Deus. Aliás, os guias espirituais salientam que as casas espíritas mais modestas são as que recebem maior amparo dos benfeitores do Alto. Ocorre que há médiuns em vários segmentos religiosos. A Sônia não é médium espírita, é umbandista, que permite cobranças. O médium americano James Van Praagh também cobra consultas, vive disso. Ele também não é espírita, me parece ser católico. Na verdade, ele e a Sônia não têm tempo para mais nada, tanta é a procura de consultas. Não podemos condená-los por isso, até porque, como nos advertia o Chico Xavier, não podemos julgar ninguém, absolutamente ninguém. De qualquer forma, ambos confortam pessoas que não conseguem enxugar lágrimas ante a separação provisória de algum ente querido. Eles trazem dados induvidosos sobre a vida espiritual, retificando conceitos antigos de muita gente, como é o caso presente da Mônica. Antes, cética. Agora, certa de que a morte não existe. E a compreensão dessa realidade maravilhosa traz equilíbrio à conduta humana, alarga horizontes e nos presenteia com a fé raciocinada.

A PALAVRA DO CHICO XAVIER – A consciência é o que há de restar de tudo o que somos.