Hotéis da cidade – I

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Marco Pollo Giordani, inativo do Exército e membro da Academia Santo-Angelense de Letras, se mudou para a Capital do Estado há muitos anos. Outro dia, me perguntou se o Hotel Brasil, onde se hospedou quando menino, ainda está funcionando. Ele viajava no caminhão do pai, oriundos de Santa Rosa, quando as estradas lamacentas determinaram o pernoite no antigo hotel situado na Rua Marechal Floriano. Não, não funciona mais, incêndio encerrou as atividades do Hotel Brasil. Hoje, o velho prédio amparado por estacas, oferece espetáculo melancólico a quem passa por ali. Todo mundo concorda que seja demolido o quanto antes, em nome da segurança dos pedestres. Em que ano teria sido construído o prédio? Osmar José Wobeto nos dá a resposta:

– Quem construiu o prédio e idealizou o hotel foi o primeiro proprietário, chamado João Wobeto, meu avô. Isso ocorreu no ano de 1929.

Anos depois, o Hotel Brasil passou a ser propriedade de Bertholdo Ilgner, cidadão alto e magro, sempre de gravata borboleta, muito atencioso com os hóspedes e visitantes. Egídio Pedro Flach, piloto e instrutor do Aero Clube, morou durante vários anos no Hotel Brasil. Com o falecimento de Bertholdo, o hotel experimentou sensível queda de prestígio no ramo hoteleiro da cidade. Instalações necessitadas de remodelação, que não foram feitas. Norberto Ilgner, filho único, engenheiro-civil, não teve interesse no negócio e alugou para terceiros. Norberto também voltou para a Vida Espiritual, não houve sucessão familiar no ramo e agora o panorama do antigo hotel do Bertholdo é desolador.

Outro hotel muito antigo da cidade é o Hotel Avenida, que tem passado por remodelações e nunca parou de funcionar. Na época, o prédio foi construído em ponto estratégico, nas imediações da Viação Férrea e da Estação Rodoviária. Na Avenida Venâncio Ayres, esquina com Avenida Brasil. Não sei quem foi o primeiro proprietário, mas o amigo Harry Streppel, residente em Curitiba, me dá uma pista através do seguinte comentário:

– Quando eu era piá, lá pela década de 1940, o Hotel Avenida pertencia a uma tia minha, chamada Adelina Weiss. Então ela era viúva e eu não conheci o marido dela. Gustavo Weiss, filho único, vendeu o hotel logo após o falecimento da minha tia e foi embora de Santo Ângelo.

Gustavo Weiss foi outro filho único que não quis tocar o hotel da família. Desde então o Hotel Avenida tem passado por vários proprietários, como Fredolino Weizenmann, pai da Salete Weinzenman. Fredolino teve participação na comunidade, inclusive na diretoria da Associação Comercial e Industrial. Luiz Alberto Freire recorda que se hospedou no Hotel Avenida, quando chegou aqui no dia 15 de março de 1970, para trabalhar no Banco do Brasil. Na ocasião, Fredolino era o proprietário do hotel, sendo sucedido por Pedro Ceretta, que comandou o Hotel Avenida até ficar impedido em razão da enfermidade que determinou o encerramento do seu ciclo terreno. Pedro Ceretta também teve participação ativa em várias áreas da comunidade santo-angelense.

 

 

A PALAVRA DO MÉDICO E COLUNISTA DE JORNAL J.J.CAMARGO:
“Na vida real não há oásis na travessia do deserto.
Mas tomara que, mesmo assim, conservemos intacta a esperança.”

 

 

 

 

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