Hotéis da cidade – II

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O Hotel Maerkli, no coração da cidade, no melhor ponto da Avenida Brasil, sempre foi o destaque hoteleiro da cidade, fundado pelo suíço Eduardo Maerkli e esposa Margareth. Cidadão alegre e bem humorado, Eduardo transformou o saguão do hotel em ponto de encontro dos santo-angelenses, com piano à disposição dos artistas que lá se apresentavam. Nos fundos, havia uma pista de danças e baile de carnaval mais animado da cidade. Jantar no Maerkli também era uma boa ideia. Com o passar dos anos, idosos e cansados, o casal Maerkli passou o bastão para sobrinhos vindos da Alemanha, como nos recorda Leda Stocker Ries, filha do estofador Reinoldo Stocker. Eis as palavras da Leda, viúva do Willibaldo Ries, do antigo Cocefel:

– Hans e Maia, sobrinhos de Eduardo Maerkli, vieram da Alemanha para substituí-lo no comando do hotel. Eu era muito amiga da Gerda, filha adotiva do casal Maerkli.

Outra que guarda boas lembranças do Hotel Maerkli é Marilu Becker, da Livraria Becker, situada na Rua Marquês do Herval, esquina com Avenida Brasil. O pai dela, Ricardo Becker, alemão de nascimento, fundou dois jornais poucos anos depois que chegou aqui: o “Correio Serrano”, de Ijuí, e “O Missioneiro”, de Santo Ângelo. Quando jovem, Marilu participou de muitos bingos no saguão do Maerkli e certa vez foi contemplada com o primeiro prêmio, prêmio incômodo para a moça: um porco!

Como o Hotel Brasil, outro hotel destruído por incêndio foi o Hotel do Comércio, também situado na Avenida Brasil, mas na frente da então Praça Rio Branco, hoje Ricardo Leônidas Ribas. A viúva Flora Cecília Hentschke conduziu o Hotel do Comércio por muitas décadas, sendo substituída pelos filhos Willy e Otto Alfredo. Dotado de muita capacidade para Matemática, Otto diplomou-se em Engenharia Civil, embora não tenha se dedicado inteiramente à profissão. Em tempos idos, meu pai Oscar Ernesto Jung, telegrafista do Correio, e eu, jovem estudante, comparecíamos ao Hotel do Comércio para almoçar, quando minha mãe viajava a Santiago para visitar familiares.

Fredolino Emmel, pai do médico legista Guido Emmel, dedicou a maior parte de sua vida profissional ao Hotel Vitória, localizado bem na frente da filial da Companhia de Cigarros Souza Cruz, na Rua Florêncio de Abreu. Aposentado, Fredolino Emmel passou adiante o hotel e se dedicou a fazer o que também gostava: vender bilhetes de loteria pelas ruas da cidade. Há quem diga que, durante a Segunda Grande Guerra Mundial, o Hotel Vitória hospedou várias vezes espiões nazistas que percorriam o Estado em missões especiais. De todos os hotéis mencionados, o único ainda presente na vida citadina é o Maerkli. Depois, surgiram o Hotel Debacco, o Turis Hotel, o Hotel Nova Esperança e, por último, o Villas Hotel.

Enfim, como as pessoas físicas, as pessoas jurídicas também não duram para sempre. É a brevidade da vida terrena, uma lição milenar sempre ensinada e sempre esquecida.

A LIÇÃO DO ESPÍRITO ADOLFO BEZERRA DE MENEZES:
“De nada vale o brilho da inteligência,
se o coração permanece às escuras.”

 

 

 

 

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